“E o coração transborda pelo Brasil” começa!

 

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Dessa vez não teve como. Talvez por falta de tempo, talvez por falta de inspiração, talvez por falta de vontade. Não sei. Sei que corro o risco de parecer blasé, de parecer que não tem importância pra mim, que não ligo muito pra esse momento… O fato é que não consegui escrever nada antes de começar a circulação nacional do “Quando o coração transborda”. Estou no Acre, mais especificamente em Rio Branco, onde me apresentei na sexta e no sábado (07 e 08/08). Fui recebida amorosamente pela Casa do Macaco Prego da Macaca, a casa do grupo de teatro do Écio, que é muito mais que um amigo do Esquadrão. Ele é um Esquadrão, assim como muitos que fazem parte da nossa história.

Esse projeto é um projeto do meu coração, que só está sendo possível por causa do patrocínio do FAC – Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal – fundo que está sendo ameaçado cada vez mais de acabar, por conta de governos e desgovernos (incluindo o atual). E pode acreditar que o fato de ser um projeto do meu coração não quer dizer que só por isso eu ache que é importante. Não. A movimentação que está acontecendo por causa dele é legítima e contumaz.

O projeto se chama “E o coração transborda pelo Brasil” e leva a cinco cidades, das cinco regiões brasileiras, o espetáculo “Quando o coração transborda”, a oficina de teatro acrobático “Para aprender a voar” e uma parte da exposição “Viva o Esquadrão da Vida!”. A minha ideia era levar essas ‘ações’ a grupos de teatro que são parceiros  – parceiros de resistência, parceiros de sonho. Amigos, colegas, gente que persiste nessa realidade dura, que atua junto à comunidade em que vive. Estou fazendo isso em Rio Branco e acho que começamos com o pé direito. Que bonito foi ver que, mesmo com as dificuldades, a gente consegue se fortalecer quando olhamos um para o outro com respeito, quando aceitamos aqueles momentos que só a Arte pode proporcionar e nos unimos por algo maior e muito paradoxal: o intangível e abstrato acabam se firmando como algo possível e consistente. A utopia parece ser uma realidade. Sinto isso demais no Esquadrão e muito com o “Quando o coração”. Parece que a cada apresentação, me fragilizo e me fortaleço ao mesmo tempo. É muito doido. E vejo que as pessoas sentem isso. E pode ser uma pessoa só. Ou várias.

Que oportunidade linda é essa que estamos vivendo agora, essa de circular com o  “Quando o coração transborda”… Porque a gente (eu, você que me lê, o país, o mundo) está vivendo um momento tão duro, tão difícil, com tantas crises de tantos tipos, que ter essa oportunidade de se fortalecer em meio a tudo isso é uma benção. E ando agradecida demais por poder viver isso agora. Porque é uma oportunidade maravilhosa de  fortalecer minha fé e minha esperança, que andam tão combalidas (como acredito que a maioria das pessoas tem se sentido ultimamente).

O João Antonio, que dirige a peça junto comigo, sempre me diz pra eu acreditar no sucesso que ela é. No sentido de que muitas pessoas se sentem tocadas, muitas mesmo. Que me abraçam, após o espetáculo, com tanta emoção e com um sentimento de esperança e renovação, que isso me fortalece também, mostrando que é pra eu acreditar nesse mundo véio sem porteira. O João me diz que isso não é uma coisa comum, que ao invés de eu ficar caçando problemas, acreditando nas críticas (meio fuleiras) que a peça já recebeu, é pra eu acreditar no que eu vejo e sinto a cada espetáculo. Em Rio Branco eu estou tendo essa oportunidade. E tem sido duro e bonito ao mesmo tempo.

Dei uma oficina para poucas pessoas mas senti que elas saíram felizes e que vão disseminar por aí essa alegria e aprendizado. Isso me fez bem e faz bem para outros também.

E o fato de eu estar aqui, faz com que eu me junte a outros coletivos que vão além do que o projeto do FAC previu. O textão é pra falar que eu já me apresentei na Casa do Macaco Prego da Macaca mas que no domingo agora (dia 16/07), decidido assim, de última hora, me apresento na Casa de Cultura Vivarte, também aqui em Rio Branco. E na sexta, dia 21/07, estarei em Porto Velho, com os companheiros d´O Imaginário, que fazem um lindo festival de teatro de rua por lá, o Amazônia Encena na Rua.

Se você está em Rio Branco, tente ir, a entrada é franca. E se você está em Porto Velho, fique atento, porque dia 21 estaremos lá!

Um beijo grande  e cheio de esperança!

 

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Ensaio aberto – “Quando o coração transborda” – Ocupa Dulcina

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Foto de Humberto Araújo – Cenário “Quando o coração transborda”

Já estou há um tempão querendo escrever mas ao mesmo tempo com uma dificuldade imensa pra começar, sei lá o por quê. Ou talvez saiba e esse por quê talvez não venha ao caso. Só talvez.

No dia 31 de dezembro de 2016 o Esquadrão da Vida fez 37 anos. Eu quis escrever sobre isso, postar no blog e no Facebook mas não o fiz.

Depois, no dia 07 de março de 2017, comemorei internamente a estreia do espetáculo “Quando o coração transborda”, que aconteceu há dois anos atrás. Também quis escrever, falar sobre minha experiência com a peça, comemorar mais publicamente (inclusive pra ajudar na divulgação, né?) e, novamente, não o fiz.

O fato é que amanhã eu vou fazer um ensaio aberto da peça lá na ocupação do Dulcina, daí eu pensei que tinha que escrever alguma coisa, apesar de que nesse momento meu, eu acho que eu não TENHO que fazer nada. Eu acho que eu tenho que fazer SE EU QUISER fazer e isso é uma luta diária porque nem sempre fazemos o que queremos fazer e, paciência, coisas da vida.

Comemorar 37 anos de história do grupo me põe em mil questionamentos. Há um tempo atrás uma amiga disse que discutiu com seu grupo de teatro porque tinha gente lá que achava que o Esquadrão era um grupo e ela afirmava que não mais. Que usávamos a pessoa jurídica (que nem existe, apesar de já termos tentando tantas vezes e que, no entanto, há muitos anos não conseguimos mais ser – já fomos ONG, associação, produtora…), mas que já não trabalhávamos mais como grupo mesmo. Eu fiquei olhando pra ela com uma cara de interrogação e disse que eu mesma achava que a gente estava trabalhando. E afirmo isso por conta do “Quando o coração transborda” que é um projeto do Esquadrão. Na verdade, a ideia para o projeto surgiu a partir de uma grande crise que tive com o grupo e que reverbera até hoje na minha vida. Enquanto não estamos na rua ou mesmo ensaiando em grupo, estou fazendo projetos, estou pensando em espetáculos, estou arrumando o acervo (nem me fale dessa parte!) embora, de fato, não esteja trabalhando com um elenco e acho que por isso entendo o que essa amiga me falou – e até concordo um pouco, pra ser sincera. Porque o trabalho em grupo não é só uma coisa esporádica, não é uma investigação, uma pesquisa, uma ‘vivência’ individual. É algo que acontece entre algumas pessoas, pelo menos mais de uma. Pra mim, o trabalho em grupo é a coisa mais valiosa do teatro. É o que permite as maiores e mais incríveis pesquisas e descobertas teatrais (e não que elas não aconteçam individualmente, mas em grupo é uma coisa especial porque é uma vontade coletiva, um sonho coletivo, no meio de tantas diferenças). E o teatro é isso. Nada mais lindo que a descoberta de caminhos, linguagens, forças e formas feita em conjunto. É uma coisa arrebatadora, sinto muita falta disso. Ao mesmo tempo, optei neste momento, por seguir com um monólogo que fala também sobre essa experiência de grupo. E que me move muito, justamente porque atrás de toda sua construção, há uma história de 37 anos. E isso eu demorei pra entender dentro de mim. Porque esse monólogo só existe porque existe a história do grupo, que está cravada em mim, como tatuagem. E é muito doido que muitas pessoas que já viram o “Quando o coração transborda” e que conhecem o Esquadrão, falam pra mim que eu sou o Esquadrão. Que a peça, do jeito que é, é como se fosse o Esquadrão na rua. Dentro de mim, eu sei que é diferente, que não é a mesma coisa, mas entendo completamente quando me falam isso. E me encho de orgulho.

No momento, não estou com o grupo (no caso, com um elenco de atores) nas ruas ou mesmo no teatro, porque não é o tempo. Porque eu não quero, embora sinta muitas, mas muitas saudades. Porque agora é o tempo do “Quando o coração transborda” e eu preciso respeitar isso. Porque esse espetáculo também faz com que pessoas que não conheciam o Esquadrão, passem a conhecer. E essa história, tão rica e tão linda, vai seguindo em frente. Porque o Esquadrão da Vida, na verdade, não é só um grupo de teatro. É muito mais. E é muito difícil pras pessoas entenderem isso, eu sei. Junto comigo estão inúmeras pessoas que fazem parte dessa história. E demoraram muitos anos pra que eu conseguisse entender isso. Com a estreia do “Quando o coração transborda” isso ficou ainda mais claro.

Eu respeito o tempo das coisas, embora às vezes seja muito difícil pra mim. O tempo agora é de eu falar dessa história. E pra ser bem sincera, eu acho que eu estou ‘na rua’ com o Esquadrão. E sinto e sei, que com paciência e sabedoria, vou continuar essa história, se eu quiser.

Agora, eu quero. E amanhã, dia 24 de março de 2017, mostro isso em um ensaio aberto, às 16:00, na sala Conchita de Moraes do Teatro Dulcina, em apoio à ocupação que está acontecendo ali. E esse apoio, vem do meu aprendizado constante com o Esquadrão da Vida, que segue firme e forte. Talvez não da maneira mais adequada, mas da maneira que eu estou conseguindo que siga.

Vlw flw.

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Foto da Bruna Neiva, que mesmo não sendo atriz, é do Esquadrão desde pequenininha…

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Esquadrão da Vida e Espaço Imaginário – um caso de amor

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Maíra Oliveira em “Quando o Coração Transborda”. Foto de Humberto Araújo

Maíra Oliveira, atriz do Esquadrão e diretora da trupe, se apresenta mais uma vez no Espaço Imaginário, em Samambaia, com o espetáculo “Quando o Coração Transborda”. A apresentação acontece hoje, dia 12 de novembro de 2016, às 20:00. E, mais uma vez, ela fez um texto para divulgar o espetáculo. Lá vai:

“Quem me conhece sabe que eu tenho um jeito meio Pollyanna de ser. Muitos acham que isso é meio que dizer que sou um pouco boba, porque otimismo hoje em dia é uma coisa que não cola bem. Eu até entendo, já que realmente existe essa forma de pensar que as coisas são porque tem que ser, que tudo é lindo maravilhoso quando sabemos que não é. Muito pelo contrário. A vida é dura e difícil, às vezes mais para uns do que para outros, mas todos nós, de uma forma ou de outra, sempre nos deparamos com questões complexas, tristes e muito difíceis em alguns momentos de nossa vida, muitas vezes em vários. E essas questões podem envolver coisas pessoais, particulares ou podem ser mais amplas, questões que envolvem muitas pessoas, nossa cidade, nosso país, nosso mundo, a humanidade.

Tenho me perguntado muito sobre o sentido das coisas, seja no meu universo particular, seja no universo social e político que estamos vivendo. Penso no ciclo da vida e nas coisas que me são caras. Esses pensamentos que acabam nos levando a nada ou, talvez, como eu quero crer, a tudo. E olha que tudo é muito! E olha que tudo também é nada! Eu tenho uma tatuagem bem mal feita no meu braço com o símbolo  Yin Yang, que pra mim fala muito e nada ao mesmo tempo, como tudo na vida. Se você que me lê agora já viu meu monólogo “Quando o Coração Transborda”, você deve se lembrar que meu maior mantra é : é ruim mas é bom.

Quando o Donald Trump foi eleito, também o Crivella no Rio, também o Dória em São Paulo, e outros tantos eleitos nas últimas eleições, meu mantra ficou reverberando em mim. Por mais que eu tenha ficado chateada e compreenda a gravidade da situação, não quero sair do Brasil, não quero passagem pra Marte nem pra qualquer outro lugar do mundo ou do universo. Não quero que a humanidade acabe, não acredito que o ser humano é mau (essa eterna crença pequena de que o mundo é dividido entre o bem e o mal, como se a gente fosse sempre uma coisa só) e que estamos aqui, todos querendo matar um ao outro. Não  acredito que os reacionários são mais fortes do que quem acredita na possibilidade do sonho, que acredita em uma vida mais igualitária. Eu sei que não é tão simples assim e que às vezes parece que tudo que a gente leva é PORRADA, PORRADA, PORRADA. Físicamente, moralmente, éticamente. E é muito duro, muito duro, muito duro. Porque a luta da vida não é fácil, porque somos diferentes, porque somos muitos, os humanos. Somos ódio e amor, dor e dulçor. Mas o mundo é muito doido e tão cheio de idiossincrasias que parece às vezes que vai acabar. E vai mesmo, de uma forma de outra. O que nos resta então? “Só nos resta viver…”, já nos cantou Angela Ro Rô. Agora, temos que nos atentar pra essa vida que a gente leva, né? Eu tenho optado, à duras penas, viver a vida que eu escolhi viver com um pouco mais de coerência. Fazendo o que amo fazer, do jeito que tenho conseguido fazer. Nem sempre são rosas, mas acho que tem valido à pena. E quando me dá insegurança, me apoio no teatro para ele me dar força. E me junto com as pessoas que amo e admiro.

Hoje faço o “Quando o Coração Transborda” aqui no Espaço Imaginário, em Samambaia. Um espaço cultural lindo em todos os sentidos: é gostoso, aconchegante, cheio de belezinhas. Por outro lado, é um espaço forte, de resistência, o único teatro de Samambaia. Me apresentei aqui no ano passado, uma das apresentações foi especialmente bem marcante. Tinha apenas 5 pessoas e elas estavam tão envolvidas que o espetáculo foi lindo! Cheio de amor e de reflexão, como é qualquer peça de teatro feita com vontade, disciplina e entrega – e essas coisas não me faltam (oxalá não deixem de me faltar nunca!).

Tenho falado isso bastante, mas acho que temos que exercitar bastante nossa empatia, nossa compaixão, estamos muito precisados disso. A melhor forma que eu, Maíra, encontrei para fazer isso, é fazendo teatro e sendo o que eu sou, vivendo a vida que imaginei. Não consigo alugar nada em meu nome, não tenho carro, não tive filhos ainda, não tenho salário, não tenho namorado. Mas gente, eu tenho um ímpeto, um borbulhar, que nem sei! O que tá acontecendo nesses últimos tempos só me fortalece para eu ir atrás das coisas que eu acredito.

E hoje eu me junto ao Imaginário, no “Quando o coração transborda” para mostrar isso. Ocupa! Ocupa! Ocupa e resiste!!!”

QUANDO O CORAÇÃO TRANSBORDA

SÁBADO, 12 DE NOVEMBRO DE 2016

LOCAL: ESPAÇO IMAGINÁRIO

ENDEREÇO: QS 103 CJ 05 LT 05 – SAMAMBAIA SUL

ÀS 20H

ENTRADA FRANCA

 

 

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Último dia da temporada “Quando o Coração Transborda”

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Olhar emocionado de Maíra em cena, capturado pelas lentes de Nityama Macrini.

Mais uma vez, a Maíra Oliveira escreve sobre o “Quando o Coração Transborda”:

“hoje é a última apresentação dessa pequena temporada do “Quando o coração tranborda” lá no teatro de bolso da companhia da ilusão. eu fico num misto de tristeza e alegria, porque não quero deixar de me apresentar e, ao mesmo tempo, fico feliz com o que tenho conquistado a cada apresentação. conquistas em vários níveis. nessa temporada, incrivelmente, estou saindo mais leve das apresentações, o que não acontece normalmente… fico muito mexida com as reações das pessoas que me assistem… é estranho… fico lisonjeada, é claro, mas também tenho que lidar com uma energia muito forte, que também é a energia que ofereço. papo de hippie, né? eu acho que eu sou meio hippie… nas minhas lembranças de facebook, topei com essa foto da Nityama Macrini, de uma apresentação do ano passado, lá no varjão. e fiquei refletindo sobre meu olhar nessa imagem, que foi tirada durante o espetáculo. meu olhar brilhante e emocionado. e daí me emocionei. e tem sido assim, e tem sido assim… é ruim mas é bom, não sei explicar. porque não é fácil, minha gente. mas ao mesmo tempo, é o que tem que ser. e resolvi escrever aqui esse textinho confuso só pra convidar a quem ainda não foi ver o espetáculo a aparecer no teatro hoje. vale a pena, meus amigos. eu sei que tem gente que não tem saco pra teatro, eu sei. mas isso é besteira, porque qualquer coisa que é feita com amor e sinceridade, é cativante. e a gente tá precisando disso. de nos cativar. de, juntos, enfrentar esse mundo véi sem porteira, porque o negócio não tem sido fácil. então hoje, você que me lê tem a oportunidade de fazer isso comigo. sou, panfletária? sou. mas é que não me aguento! 😉
hoje, domingo 28 de agosto, às 20h, no teatro de bolso da companhia da ilusão, que fica na 510 sul, entrada pela W2, tem ‘quando o coração transborda’. e, como não poderia deixar de ser, também quero lembrar uma coisa:

todo dia era dia de índio”

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Circulação Funarte espaços alternativos do DF

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Maíra Oliveira em “Quando o coração transborda”. Foto de Ico Oliveira

Pessoal,

por incrível que pareça, “Quando o coração transborda” tem conseguido estar em cena, o que é uma coisa bem difícil em Brasília. Desde março do ano passado, 2015 _ quando a peça estreou até hoje _  já realizamos algumas pequenas temporadas. A vida tem sido generosa. Agora fazemos parte da 1ª Mostra Funarte em espaços alternativos do DF. Uma mostra importantíssima, porque o Distrito Federal tem sofrido com o sucateamento dos espaços públicos culturais, muitos fechados e sem previsão de funcionamento. Uma tristeza sem fim, um descaso enorme com o que faz a história de uma sociedade: a cultura. “Quando o coração transborda” está em cartaz no Teatro de Bolso da Companhia da Ilusão, que fica na 510 Sul. É um teatro que parece que foi feito para abrigar, amorosamente, a peça _ que fala muito sobre o Esquadrão da Vida. Apareçam!

A seguir, uma pequena matéria que foi feita para o site O Ciclorama, voltado para a cultura em Brasília. Ali você pode ver os detalhes, caso queria aparecer. 🙂

http://ociclorama.com/do-coracao/

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Ocupações

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Mais um texto. Mais uma reflexão. Maíra Oliveira fala sobre a temporada no Conic com o “Quando o Coração Transborda”, que fala muito sobre a história do Esquadrão da Vida. Tentem ir!

 

Lá vai:

“Pensando aqui com meus botões, há dias venho tentando descobrir como divulgar melhor meu espetáculo. Na verdade, talvez não seja exatamente isso que eu esteja pensando, mas no por quê de estar indo tão pouca gente nessa temporada do “Quando o coração transborda”, que estreei no ano passado. Não falo isso com pesar, porque as apresentações estão sendo intensas e fortes, independente do número de pessoas na plateia. E isso sempre foi uma coisa importante e essencial pra mim: estar inteira no palco, seja ele na rua, no teatro ou em uma casinha de sapê, com muita gente me assistindo ou com pouca gente me assistindo. E se tem muita gente, fico feliz. E se tem só uma pessoa, fico feliz. É claro que uma plateia cheia dá gosto de ver, o que não quer dizer que o espetáculo será melhor. Porque já fiz alguns espetáculos memoráveis para pouquíssimas pessoas. Às vezes, com apenas quatro pessoas na plateia, em total conexão com o que está sendo encenado, eu e eles, cúmplices de um momento que nunca mais se repetirá (que linda a magia êfemera do teatro!) é como se fosse uma benção, porque saio certa de que toquei e saí tocada, com momentos que guardarei com amor para o resto da minha vida. Talvez o comecinho da tal mudança no mundo, tão almejada por nós.

Bom, mas o que me traz a essa reflexão de agora, é a vontade de despertar o interesse nas pessoas em assistir a minha peça e, de quebra, ajudar na Ocupação Conchita, do Movimento Dulcina Vive, lá no Conic. Por quê? Vários grupos de teatro de Brasília vem ocupando, desde março de 2016, a Sala Conchita de Moraes, que fica no Teatro Dulcina. A ocupação foi iniciada pela Cia Burlesca, que em um esforço lindo, agregou alguns grupos de teatro para ocupar a sala até o fim do ano, com peças de teatro infantis e para o público adulto. Coisa rara em nossa cidade, que tem vários espaços culturais (incluindo o Teatro Nacional) fechados e sucateados. Uma tristeza! Além disso, o Conic, que sempre fez parte da minha vida e do Esquadrão (tem até uma praça que se chama Ary Pára-Raios) é um espaço plural, cheio de curiosidades e onde temos sempre a possibilidade de conviver com as diferenças, o que acho uma coisa maravilhosa e transformadora. É um local onde podemos entender melhor Brasília e, assim, ajudá-la a ser uma cidade mais humana, mais acolhedora. O Conic fica no SDS – Setor de Diversões Sul – nada mais emblemático do que nome do local para fazer essa ocupação que estamos fazendo.

Dulcina de Moraes, pra quem não sabe, foi uma grande atriz brasileira, que teve coragem e garra para criar a Faculdade de Teatro Dulcina de Moraes, em 1982, aqui em Brasília. Vale lembrar que o curso de Artes Cênicas da Universidade de Brasília só foi criado em 1989! Ou seja, o Teatro Dulcina é pura vanguarda!

Hoje entrei no Facebook e me deparei com textos sobre o “Quando o coração transborda” e com a divulgação espontânea da peça, feitos por pessoas que viram meu espetáculo. Palavras tão incríveis e carinhosas, tão emocionadas e sinceras, que resolvi que tinha, mais uma vez, que escrever sobre o “Quando o coração transborda” e convidar a todos, mais uma vez, para me assistir. Tem sido uma experiência muito forte estar em cena com este espetáculo. Muito mesmo. Minha vontade é que todos os que conheço me assistam, porque sei que nos fortaleceremos a partir desse encontro. Tenho certeza.

E também fiquei pensando em como sou abençoada por ter isso em minha vida e estar junto de pessoas que acreditam em mudanças e, mais ainda, que querem mudar. Não é fácil participar de coletivos. Não é fácil resistir. Não é fácil ocupar. E isso tem sido tão necessário!

Neste fim de semana, dias 18 e 19, e no próximo, 25 e 26 (sábados e domingos), continuo na Ocupação Conchita, ainda sem saber quando me apresentarei de novo depois dessa temporada. Sempre às 20h.

Terça, dia 21, tem o Coletivo do Quadrado, lá no Sesc Garagem, na 913 Sul. Se você nunca ouviu falar Do Quadrado, se já ouviu e nunca foi, vá. É um coletivo de artistas inspirados, que se juntam para celebrar e espalhar muita coisa linda que é feita no DF. Vou me apresentar lá, nessa terça, em uma Roda de Autoras. Artistas mulheres  da cidade, fazendo acontecer em um encontro cheio de beleza. Começa às 19h30.

E no dia 23, quinta, estarei em Goiânia, me apresentando com o “Quando o coração transborda” pela primeira vez fora do DF. É uma alegria e um transbordamento intraduzíveis.

“Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiar!”

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http://sescgo.com.br/pt-br/site.php?secao=cultura&pub=5998&area=cultura

 

 

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Entrevista para o Metrópoles

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Foto: Ândrea Possamai

A nossa diretora, Maíra Oliveira, está em cartaz com o monólogo “Quando o coração transborda”, que conta um pouco da história do Esquadrão da Vida, através do seu olhar e de sua relação com o pai, Ary Pára-raios, o criador do grupo. O Metrópoles fez uma entrevista com ela para a divulgação da temporada. Sergio Maggio, o entrevistador, sugeriu que a publicássemos na íntegra. Então, lá vai:

ENTREVISTA SERGIO MAGGIO

Essas lembranças que vão à cena são flashes de sua história e da trajetória de Seu Pai. Vc acha que o DF guarda bem a memória dele?

Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, porque são vários tipos de memória, né? Em relação à coisa material, é claro que não. Quando ele estava vivo isso já era difícil – a conservação do material do Esquadrão da Vida. Imagina agora! Esse tipo de material precisa sempre de manutenção, muita coisa ainda precisa ser digitalizada, temos vídeos em super 8, fotos que não tem filmes, matérias de jornais que estão bem cuidadas, mas o papel é uma coisa difícil de se conservar… Fora figurinos, peças de cenário. Muita coisa o grupo aproveita mas aproveitaríamos melhor se tivéssemos um espaço adequado, com tudo muito bem organizado e catalogado, porque sempre é um trabalho muito grande mexer nesse acervo. O ideal seria alguém que fosse especialista em conservação e memória que pudesse estar junto com a gente pra cuidar. Tudo isso tem custos, e custos que o Esquadrão não tem tido como arcar. É difícil…

Mas com relação à memória das pessoas, a afetiva, sinto que ele – meu pai – meu está vivo na vida e no coração de muita gente aqui em Brasília. É uma coisa bonita de se viver… De qualquer forma, é claro que essa memória, que faz parte da história cultural da cidade, pode sempre ser reinventada e revisitada. Isso é importante para o fortalecimento da cidade como um lugar fértil de criação artística e cultural, que não está só atrelada à Esplanada dos Ministérios e à Praça dos Três Poderes. Existe uma geração de pessoas que ainda não teve a oportunidade de ver o Esquadrão nas ruas, uma vez que a nossa última apresentação na rua foi em 2012. Ainda assim, o “Quando o Coração Transborda” é um projeto do Esquadrão da Vida que tenta, de uma maneira menos ‘formal’ talvez, guardar e amplificar essa memória.

Na sua percepção, qual o maior legado que Ary deixou pra Brasília?

O Esquadrão da Vida. Porque com o Esquadrão, vem junto o pensamento que o envolve desde sua criação: a possibilidade de reflexão sobre o direito à cidade. O direito de vivê-la em sua plenitude, com a ocupação lúdica e poética dos seus espaços em harmonia com os seus habitantes. A Arte como um direito de todos nós, como uma possibilidade revolucionária de mudança e transformação. O libelo da Arte e do Teatro como arma democrática contra a caretice.

E dentro de tudo isso, o legado de um sem número de pessoas que se consideram parte dessa escola que é o Esquadrão da Vida. Pessoas que, às vezes mesmo sem trabalhar com teatro, seguem em um projeto de vida e de compreensão do mundo que tem a ver com a vivência libertária que é participar de um grupo de teatro como o Esquadrão da Vida.

Ary pedia paz, lutava pelo meio ambiente, pela democratização da cultura, dos espaços públicos, pela liberdade de expressão havia uns 40 anos. E hoje continuamos a clamar pelos mesmos temas. Vc sente ele como um visionário, um xamã?

Não, não o sinto como um visionário e nem como um xamã, mas como um homem que viveu o seu tempo e sua vida de forma intensa, conflituosa e apaixonada. Um homem sensível e atento às delicadezas do mundo, às potencialidades individuais do ser humano, uma pessoa especial. Não sei se ele era exatamente um xamã mas às vezes penso que ele foi um homem à frente do seu tempo, talvez por tê-lo vivido de forma visceral, generosa e contestadora.

Depois da morte dele, o Esquadrão virou um peso pra vc? A peça mostra um pouco desta crise. Como as coisas se transformaram para a leveza?

Na verdade, o Esquadrão da Vida tinha um pouco de peso pra mim quando meu pai estava vivo ainda. A crise mais pesada aconteceu no início da minha vida adulta quando passei a questionar se devia continuar trabalhando só com o meu pai e com o Esquadrão. Queria experimentar trabalhar com outras pessoas, descobrir se era aquilo mesmo, o Esquadrão, que eu queria. Quando enfim eu descobri que era isso mesmo, tudo se resolveu. Eu passei a trabalhar mais intensamente com o Esquadrão, a ponto de virar assistente de direção do meu pai e, depois de sua morte, assumir tudo do grupo, naturalmente. Daí, comecei a aceitar que meu pai era meu mestre, a pessoa que me abriu as portas do Teatro e me mostrou que eu era atriz e que, pro bem ou pro mal, essa era a minha história. Tem uma frase que eu sempre falo e que virou meu mantra (eu digo isso na peça), que é: é ruim mas é bom. Pra toda leveza há um peso, temos que achar um equilíbrio. Se o peso fosse maior, eu certamente não ia querer estar no lugar em que estou hoje, responsável pelo Esquadrão.

Como anda o acervo de Ary? O estado de conservação?

As coisas estão entre a minha casa e a da Caísa, que foi atriz do grupo. Moro sozinha em um apartamento alugado de dois quartos. Um dos quartos é o quarto do Esquadrão, mas na verdade, em praticamente todos os cantos dela tem coisas dos Esquadrão, porque não cabem só no quarto. Muitas coisas eu uso no “Quando o coração Transborda”, mas não chega a ser nem a metade do que temos: instrumentos, cenários, quadros, documentos, vídeos (alguns já digitalizados, outros não), fotos, jornais e revistas, um bumba meu boi que o Seu Teodoro nos deu, lonas, malas, chapéus e um monte de outras coisas. Em algumas coisas estou sempre mexendo e remexendo, arrumando… No momento, tem uma estante cheia de documentos iconográficos, cartazes de intervenções, fotos e outras coisas, que tem uma prateleira que caiu e eu ainda não consegui arrumar, porque não tenho dinheiro pra isso. Então tudo está caindo, uma coisa em cima da outra. Muito pó, muitas coisas que precisam ser arrumadas.

Na casa da Caísa, tá tudo no porão. Tenho uma angústia danada por não ir lá pra ver as coisas, parece que algo me imobiliza, não sei. Já faz mais de dois anos que não apareço por lá para ver nosso material, que é um material que não utilizamos todo o tempo e que não sei se jogo fora. Porque na verdade, eu posso até arrumar, passar lá, mas sempre vou ter essa questão de como é que eu guardo essas coisas. Me incomoda muito que tudo isso esteja longe de mim e do grupo, em uma outra casa, que não é nossa. Mesmo que a Caísa sempre me diga que não tem problema, sabe?

E tem material que eu posso não estar usando agora, mas que tenho certeza que posso reutilizar de alguma forma em algum outro momento. Tem muitos jornais VivAlternativa, que era um jornal produzido pelo meu pai, tem o cenário do “Filhote do filhote de Elefante” (primeira peça do Esquadrão que dirigi depois de sua morte) e um monte de outras coisas. Porque são muitas coisas pra cuidar e acaba que vou dando mais atenção para as peças e para o fazer, adoraria ter alguém em quem confiasse e que nos acompanhasse sempre, que fizesse a organização de tudo, catalogasse, registrasse… Mas não como uma coisa de museu, e sim como organização de um material que usamos de várias maneiras, como pesquisa para novos trabalhos, para estudos e para, é claro, que as pessoas tivessem mais acesso à essa história/memória de Brasília.

Essa peça mexe com o imaginário de quem assiste, fala de sonhos, missões, desencontros e possibilidades. Qual o sentido dela pra vc?

Nossa! Que pergunta difícil de ser respondida! Bom, a primeira coisa que me veio à cabeça para responder a essa pergunta são esses versos do poema “O Guardador de Rebanhos”, do Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa):

“Porque o único sentido oculto das coisas

É elas não terem sentido oculto nenhum,

É mais estranho do que todas as estranhezas

E do que os sonhos de todos os poetas

E os pensamentos de todos os filósofos,

Que as coisas sejam realmente o que parecem ser

E não haja nada que compreender.

 

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —

As coisas não têm significação: têm existência.

As coisas são o único sentido oculto das coisas.”

Sei que essa resposta talvez não seja satisfatória (do ponto de vista de uma entrevista para divulgar a peça) e nem quero dar uma de intelectual. Mas o sentido da peça está na própria peça, para mim. No meu amor pelo Teatro e na visão, compreendida pela minha vida com o Esquadrão, de que a Arte é revolucionária. E de que, como meu pai escreveu em um bilhete pra mim: “A Arte é nosso Deus e o Teatro nosso sacerdote. Nosso purgatório é nosso Olimpo.” Faço porque preciso fazer. Talvez seja esse o maior sentido.

Explica um pouco a ideia de “todo dia era dia de índio” nas redes?

Toda vez que estou junto com índios, seja em protestos, seja me apresentando em uma aldeia, seja convivendo de alguma outra forma – na cidade, na universidade, na Câmara dos Deputados – minha cabeça fica à mil. Um dos meus maiores ídolos foi o Darcy Ribeiro, me identificava e me identifico muito com a forma que ele enxergava o Brasil e a construção da nossa identidade, tão rica e ao mesmo tempo tão complexa.

Todo dia era dia de índio, para mim, fala sobre toda essa complexidade da sociedade brasileira e, em última instância, de como nos vemos no mundo. Fala sobre como construímos essa identidade atropelando outras identidades. Sobre o deslocamento da vida integrada com a natureza e nosso meio ambiente, para uma vida onde o verbo ter é o mais importante. Fala sobre como olhamos o outro e o exercício diário de tolerância para a convivência harmoniosa com esse outro, mesmo entendendo que isso é muito difícil. Todo dia era dia de índio, me lembra que eu sou índio, que somos todos índios, negros, amarelos, loiros, ruivos. Me provoca no sentido de despertar – em mim em primeiro lugar – a empatia pelo outro. Estamos precisando muito disso: exercitar nossa empatia, nossa compaixão.

E acho pouco falar só índio, na verdade. Porque são tantos índios! Com tantas línguas diferentes, tantos costumes e culturas, tantas diferenças, tantas particularidades. E é tão lindo que eles estejam resistindo entre nós e que estejam dentro de nós! E ao mesmo tempo, tão doloroso que é esse não-lugar que estamos impondo a eles, desde 1500. E ao mesmo tempo que digo estamos não acho legal, porque eu também sou índia. E ao mesmo tempo, não sou. Então resumindo tudo, tudo mesmo, até a crise política atual, com esse golpe. Até o estupro de uma menina por 30 homens. Até isso me faz lembrar, diariamente, que todo dia era dia de índio. Minha pequena intervenção poética, política e pessoal nas redes sociais há mais de três anos.”

A matéria saiu assim:

Maíra Oliveira, o coração onde mora o palhaço Ary-Pára Raios

E, para assistir o “Quando o coração transborda”, tem que seguir essas coordenadas:

SERVIÇO

DE 04/06 a 26/06

Sábado e domingo, sempre às 20h.

Local: Sala Conchita de Moraes

Endereço: Setor de Diversões Sul, Prédio FBT (Teatro Dulcina) – CONIC

Ingressos R$ 30 (inteira) e R$15 (meia)

Classificação etária: 14 anos

CONTATO 

Maíra Oliveira – 8409.4694

Tatiana Carvalhedo (produção) – 8127.8667

 

 

 

 

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