O por quê de fazer teatro

Já dois depoimentos e reflexões sobre nossa viagem à São Paulo publicadas aqui no blog. Agora o meu. É que realmente essa foi uma experiência muito forte e que até agora está reverberando na minha cabeça. Tenho pensado muito sobre o trabalho, sobre as nossas apresentações com O Filhote do Filhote de Elefante e a Guerrilha do Bom Humor, e aí muitas questões artísticas, automaticamente políticas e sociais (pelo menos para mim), vêm à tona.

Existe uma forte discussão sobre o valor político do fazer teatral. Inclusive essa questão foi levantada algumas vezes na 5ª Mostra de Teatro Lino Rojas. Fazer teatro, seja em em caixa fechada ou na rua, já é uma ação política ou é necessário que além de fazer teatro se desenvolva ações sociais junto à comunidade?

Tem grupo fazendo teatro há muito tempo e que não acredita na transformação que a arte pode provocar. Para mim não faz sentido fazer teatro, trabalhar com a arte, se duas condições básicas não estão bem condicionadas: amar o que estou fazendo, fazer principalmente por prazer, e acreditar que, sim, a arte transforma, revoluciona.

Quando falo de revolução não falo necessariamente de uma mudança radical, que o espetáculo só serve se as pessoas forem assistir e sairem de lá querendo mudar o mundo. Se acontece, maravilhoso! Mas falo de pequenas mudanças, de provocar reflexões sobre o mundo como está, sobre como estamos inseridos nele, sobre o nosso comportamento cotidiano. Falo de sorrir mais, dar um bom dia ao porteiro por quem eu passo todos os dias e nem o percebia ali, ou devolver o dinheiro a mais num troco errado que me deram, ou  não jogar lixo na rua. Isso tudo tem a ver com valores, com crenças, com como eu lidou com o mundo a minha volta, que faço parte. Essas pequenas ações nos levam a outras e, uma coisa vai levando a outra. Se não aceitamos o mundo como está, o capitalismo dominante que nos amarra, as injustiças que vivemos diariamente, temos que começar de algum ponto, senão ninguém faz nada.

É seríssimo ver tantos moradores de rua (no Centro de São Paulo tem demais) mas nem precisamos ir tão longe. Aqui também já é tão comum que passam batidos, despercebidos. É assim que vamos deixando passar, nos acostumando.

Entre outros tantos motivos, e também por causa destes, que o Esquadrão da Vida, luta tanto e resiste à falta de estrutura absurda que mesmo com 30 anos de história enfrenta até hoje. Contudo, é o que o Ary dizia “tem que pegar na enxada!” E é isso mesmo, também penso que só a a partir daí as coisas vão acontecer. Demora, demora mesmo, mas acontecem.

Então não vamos parar! Já, já voltamos a nos apresentar aqui em Brasília! Aguardem!

Um beijo

Vinícius Santana

Anúncios
Esse post foi publicado em Depoimentos, relatos e afins. e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para O por quê de fazer teatro

  1. Keiny Luize disse:

    Me lembrei de uma frase de um teólogo que sou apaixonada!!!
    “Se não podemos mudar o mundo, podemos pelo menos mudar este pedaço de mundo que cada um é.Vale tentar caso contrário tudo fica como está.” (Leonardo Boff)

    Sou uma pessoa idealista, e vou morrer defendendo as causas e os valores que acredito, esse é o sentido da minha vida.

    Cada dia mais fã de vcs..

    Um beijo
    =***

  2. Pingback: Os números de 2010 | Cia. Esquadrão da Vida

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s