Herança de uma história

Cartão do Esquadrão.

Antigo cartão do Esquadrão.

Nesses dias de reestruturação estamos aproveitando também para arrumar cartazes, fotos, rever os vídeos antigos do grupo. Assistimos espetáculos como “O Bicho homem e outros bichos”,“Na Rua com Romeu e Julieta”, “Romances” e entrevistas do Ary. Muitas pessoas passaram e passam pelo Esquadrão. Hoje sei que esse movimento de chegada e saída pode ser muito rico, faz parte da história do grupo, mas também é doloroso. Estamos vivendo isso agora. Coisas de trabalho em grupo. É muito legal ver nos espetáculos antigos o caminho percorrido, as opções estéticas, o trabalho dos atores, a convivência do grupo e entender, cada vez mais, sob um prisma diferente, o porquê de ensaiar todos os dias, o porquê de usar a lona nos espetáculos, a dinâmica do grupo, as sutilezas das maquiagens aparentemente iguais, a escolha de cada espetáculo, as músicas. O quê isso tudo significa…. me faz pensar em muitas coisas. É muito bom fazer parte dessa história.
Vendo os espetáculos antigos percebo que o caminho que o Esquadrão traçou e continua traçando depende do empenho do grupo, das nossas escolhas, do nosso trabalho de formiguinha, mas sei também que muita coisa faz parte de uma conjuntura maior e aí me sinto de pés e mãos atados. Somos um grupo que tem 31 anos de trabalho e estamos sem dinheiro, sem lugar para ensaiar, com o nosso material amontoado de maneira inadequada, sendo que o Espaço Cultural da 508 sul e outros tantos de Brasília estão vazios.
É… a coisa está muito bagunçada. E a água levou tudo e matou muita gente nesse últimos meses. Vendo tudo isso me dá mais vontade de apresentar e dizer pela milésima vez: “Quem mata a mata se mata”, “ética não é titica”, “A Terra não tem refil a terra é one way”. O nosso trabalho é de formiguinha, como eu já disse, sei que ainda teremos que gritar, cantar, se pintar por muito tempo.
Nossa! Quero logo ir para rua, quero logo poder dizer tranqüila que sou atriz de um grupo de teatro de rua, que vivo de teatro e não causar espanto em quem me ouve. Quero logo que qualquer trabalho em grupo seja almejado e que não tenhamos preguiça de desatar os nós que com certeza vão surgir. Quero logo que percebam que Arte é essencial. Sim, precisamos de saúde, comida, educação, tecnologia, mas principalmente precisamos de Arte. É o que alimenta a alma, não dá para viver sem. Só 0,6% do dinheiro da união para a cultura não dá mais.

Beijão

Caísa Tibúrcio

A bananeira, o juiz do caso.

Caísa Tibúrcio como Bananeira. Foto de Luiz Clementino.

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Sobre caisatiburcio

Atriz do Esquadrão da Vida
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