Amor a uma cidade

Os Dois Candangos de Ceschiatti e o Esquadrão da Vida. 2010. Guerrilha do Bom Humor na Praça dos Três Poderes.

Os Dois Candangos de Ceschiatti e o Esquadrão da Vida. 2010. Guerrilha do Bom Humor na Praça dos Três Poderes.

Como já foi publicado aqui no blog essa semana, tivemos duas apresentações da GUERRILHA DO BOM HUMOR. Uma na comercial  das quadras 209/210 Sul, com o projeto Brasília 51 anos – Reinvente Sua Quadra,  e outra no Brasília 51 anos da Secretaria de Cultura do DF.

Conversando com o grupo, é unânime a saudade que sentimos de apresentar continuamente. Fico lembrando do ano passado quando fizemos uma temporada de mais de 40 apresentações de O FILHOTE DO FILHOTE DE ELEANTE pelas ruas de Brasília. É uma nostalgia muito forte. Muito trabalho, é verdade, cansa pra burro, mas o prazer de fazer é muito maior. Esse prazer de fazer precisa ser maior para sustentar o trabalho, sustentar-nos, inclusive por que é aquela velha  história que sempre discutimos aqui no Esquadrão e que lutamos diariamente para mudar: de que ser artista no Brasil é muito difícil. Em Brasília não é diferente, ainda mais quando realmente se vive apenas do trabalho como artista, sem um outro emprego  que garanta o dinheiro fixo e que não vai te deixar na mão. Fico tão chateado com isso e volta e meia comento aqui no blog por que mesmo sem receber, mesmo com dificuldades para ensaiar diariamente, fazemos tudo com muito amor e carinho para compartilhar com as pessoas a nossa jóia rara. E poxa, fazemos tudo independente de dinheiro, mas não que tenha que ser assim, pelo contrário, e aí está outra batalha: é a de que o artista receba pelo seu trabalho e receba o justo.

Bem, as duas apresentações foram muito emocionantes, apresentar o espetáculo mais emblemático do Esquadrão da Vida na semana do aniversário da cidade onde nasceu. Esse espetáculo que fala da Brasília, com poemas e músicas que discutem  a cidade. Um espetáculo que vem sendo formulado e reformulado desde 1979 e que é a cara desse lugar que nós do grupo amamos tanto… é muito forte para nós que o elaboramos tendo como base uma história de 31 anos do EV e de 51 anos da nossa cidade.

Ao final da nossa apresentação, estávamos conversando na praça de alimentação montada na Esplanada e uma jornalista nos abordou e perguntou o que, para nós, a cidade tem de melhor e o que tem de pior. Acho que o que Brasília tem de melhor é a sua gente, pessoas que vieram de toda parte do Brasil para construir, literalmente concretizar um sonho, o sonho de JK. Gente que deu o sangue porque acreditaram nessa nova cidade, nessa nova civilização profetizada por Dom Bosco e ergueram uma cidade linda. E essas pessoas, esses candangos, estão aqui, vivos, estão por todos os cantos, nas cidades satélites, no entorno e muitos vivem até hoje. E o brasiliense é essa mistura de gente de todo lugar do país, de goiano com pernambucano, de matogrossense com gaúcho, de catarinense com maranhense, do manauá com paraense. E somos nós que fazemos essa cidade que ainda está em construção.

E o que Brasília tem de pior acho que é justamente o seu povo não dar a ela o valor que ela tem, não enxergar as belezas de se morar aqui. Nossa cidade  é muito mais que ministérios, palácios e burocracia, muito mais que politicagem e roubalheira no Congresso Nacional. Claro que é natural que isso chame tanta atenção aqui, afinal estamos na Capital do país, onde tudo relativo à política nacional é resolvido. Mas ao mesmo tempo não é só isso, quem é de fora, quem não conhece a cidade pensa até que aqui não tem casa, que a Dilma passa na porta da minha casa, que não tem bairros, que não tem gente!

Dar o valor que nossa cidade merece também é exigir que ela seja cada vez melhor, que a nossa gestão pública seja mais decente, que a cultura seja mais valorizada. Afinal, é nela também que está a riqueza de uma cidade. E aqui sofremos muito com o desrespeito a à cultura e à Arte. E penso que isso não vai mudar enquanto a visão de que Arte é algo supérfluo e não algo importante e essencial também não mudar.

E aí o Esquadrão da Vida segue lutando, trabalhando para conquistar o quacredita.  Desacreditar é que não dá.

Um beijo,

Vinicius Santana

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