Pensando sobre o Esquadrão…

Maíra cumprimenta o senhor fascinado

Depois de nossas apresentações na Candangolândia, dias 11 e 12 de maio de 2012, fiquei pensando muito sobre o Esquadrão da Vida. Na apresentação de sábado, especialmente. Para mim, houve um momento muito emocionante e em nada muito diferente do que acontece geralmente, quando estamos nos apresentando com nossa Guerrilha do Bom Humor em lugares onde Teatro e Arte são artigos de luxo, ou melhor, são praticamente inexistentes. O contato direto com as pessoas é comovente. Estávamos tocando, cantando, andando. Estávamos em cena, frente à frente com o público, formado por moradores de rua, bêbados, loucos, feirantes, crianças, vendedores ambulantes, senhores e senhoras, candangos que fizeram essa nossa cidade que tanto amamos e para quem fizemos este espetáculo. Essa proximidade com as pessoas foi que me bateu de repente, este foi o momento (que não é um momento específico, mas  O momento, entendem?). Tão forte, tão presente, tão real. Mais real inclusive do que as adversidades, do que os questionamentos. Me pergunto agora, passada a emoção do momento (mas continuada pelo próprio refletir) o que é que vale nessa vida. O que é importante, para mim, na Arte. Por quê insisto com o Esquadrão. Fico pensando que o nosso trabalho é aquele de formiguinha mesmo. Muitas  vezes me vejo na agonia imposta por editais, pela sociedade, pelos colegas artistas, pela própria pressão do fazer artístico, que na maioria das vezes está vinculado ao número de pessoas que assistem seu espetáculo ou que tem acesso a ele. Como se um show de uma dupla sertaneja, de uma cantora de axé ou o que valha, tivesse um valor inegavelmente maior do que uma pequena apresentação de teatro em uma pequena feira de uma cidade-satélite do DF. Quer dizer que se tivessem 2.000 pessoas assistindo a Guerrilha do Bom Humor ela teria mais valor por isso? É um pensamento filosófico sobre a função da Arte, eu sei, mas ao mesmo tempo percebo o quão presente ela está no cotidiano e na rotina do Esquadrão. Ao mesmo tempo, sei que se acaso estamos usando dinheiro público, quanto mais pessoas ‘atingirmos’ (que termo é esse, né, minha gente?), melhor. E é bom quando tem um monte de gente vendo nosso espetáculo. Mas é igualmente bom também quando sentimos que tocamos uma pessoa. É revolucionário, é transformador.

Não é difícil perceber alguns olhares de desconfiança e desapreço por parte dos fazedores e entendedores de arte em Brasília em relação ao nosso trabalho (até hoje tem gente que fala: os meninos do Ary! Hahahaha! Detalhe que eu tenho 35 anos, Adriana tem 36, Andréa, 37! Mas não deixamos de ser os meninos do Ary, né?) Em alguns momentos da nossa trajetória, eu mesma me peguei pensando: para quê fazer isso, tem um monte de gente aqui que não está nem aí pra gente! Ai, ficar passando por boteco, cheio de gente bêbada, a música no talo, a televisão ligada passando vale-tudo e a gente aqui, dizendo “quem mata a mata se mata”! Como assim? Percebo o quanto de preconceito vem carregado à essas questões. Como se as pessoas não fossem aproveitar o tanto quanto poderiam se estivessem ali para nos assistir, se estivéssemos todos dentro de um teatro, por exemplo. Como me engano, como se enganam, como nos enganamos. Não é essa pois, a razão inicial de irmos para a rua? Para que todos, e eu digo TODOS, tenham acesso àquilo que poucos tem? Não é por não estarmos no teatro que não somos atores, não é por estaramos vestidos de palhaços, que somos do circo (e não falo isso como se o circo fosse uma coisa menor, muito pelo contrário, ele também é nossa inspiração). E como assim? Só sendo de circo para que as pessoas compreendam o que estamos falando? Ou melhor, para que elas se sintam tocadas e, por isso mesmo, transformadas? Que preconceito é esse de achar que aquele público específico não vai entender o que estamos falando? E por quê temos que entender tudo? Quando vamos começar a sentir? Eu senti quando um senhor me olhou, lá na Candangolândia (e estávamos falando um poema/rap do GOG, aquele A PONTE, que fala sobre a Ponte JK, aqui de Brasília), pegou na minha mão, beijou e me agradeceu, colocando a mão no coração. Depois, com uma cara de felicidade que me deu até vontade de chorar e que eu gostaria que você que está lendo tivesse visto (meu pai, o Ary Pára-Raios, nesse momento do meu texto diria para eu deixar de ser piégas), me deu um pedaço de requeijão lá da feira, como forma de agradecimento. Eu, que estou evitando comer queijo e além de tudo estava cantando e fazendo acrobacia, comi com toda a satisfação desse mundo. E agradeci a ele e à vida, por me proporcionar momentos como esse.

Quero escrever muito mas poucos tem tempo e vontade de ler muita coisa. Então termino por aqui, convidando a todos para assistir nossa Guerrilha do Bom Humor, que esta semana vai estar na Vila Telebrasília, dia 17/05, às 19h e no dia 19/05, às 10h, na Praça da cidade.

Apareçam, a entrada e o coração são francos!

Um beijo,

Maíra

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6 respostas para Pensando sobre o Esquadrão…

  1. Luciana disse:

    Que bom que para sentir não precisa entender, mas, se sentiu entendeu.

  2. leo disse:

    Tô emocionadissima com você, Maíra querida, FILHA DO ARY PARA RAIOS, do meu coração!!!!!!!! Falo isso com o orgulho que, com certeza você tem de ser a filha do ARY PARA RAIOS…….. medíocres e pobres de espírito, INFELIZMENTE, vão continuar a existir. !!!! Aliás, meu grande amigo já dizia isso a tempos atrás . Acho vocês o máximo e a ARTE continua sendo muito bem representada pelo ESQUADRÃO. BEIJO ENORME e CONTINUEM FIRMES, LINDOS e levando Arte, momentos de alegria, emoção, felicidade, lembranças, prazer……pra esse mundão de meu Deus.!!!!!!!! Outro beijo carinhoso !!!!!!

  3. Já tenho 37! rsrsr e que honra poder fazer parte disso!!!! Amo vc! Amo o Esquadrão! bjs Dri

  4. LACI DIAS DA cOSTA disse:

    Maíra querida, adorei seu texto. Pura emoção!!! Arte para mim é isto, quem é capaz de se emocionar pode transmitir sentimentos . Beijos e saudades.

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