CULTURA, FAC, GOVERNO E AFINS…

Então tá bom, vamos lá. Há tempos não escrevo aqui mas não tenho mais como fugir disso. Muita coisa acontecendo, embora tudo possa parecer parado. Muitos pensamentos, como sempre. Só que agora parece que a coisa está apertando muito e este blog é uma canal ótimo para divulgar pensamentos e disseminar ações.

Lembro bem que sempre que nos apresentamos, faço discursos bem longos ao fim  de cada espetáculo. Discursos daqueles bem panfletários, de quem quer falar a ‘verdade’, se é que ela existe de fato. Me sinto panfletária ao extremo e muitas vezes não acho isso legal. mas penso que é uma característica da minha personalidade, embora eu lute internamente para ser menos piégas, como meu pai às vezes me chamava. E também tento diminuir os discursos, como minha mãe sempre me sugere. Senão fica chato, né? E existem tantas maneiras de se disseminar ideias, sentimentos, sensações… Ai, ai!

Bom, nesses meus discursos pós espetáculo eu sempre falo sobre a PEC 150, que prevê o repasse anual de 2% do orçamento federal, 1,5% do orçamento dos estados e do Distrito Federal e 1% do orçamento dos municípios, de receitas resultantes de impostos, para a Cultura. Se não me engano, hoje apenas 0,6% do orçamento da União vai para a Cultura. Acho isso tão representativo… Mostra o modo como vemos Cultura… Sabe que nas eleições, eu ficava tentando sempre ouvir dos candidatos qualquer coisa sobre isso e nada!? Fui fazer um questionário que perguntava uma série de coisas para enfim eu descobrir quais seriam os candidatos que se ‘coadunavam’ com minha linha de pensamento. Em nenhuma pergunta havia o tema Cultura, que para mim, junto com o Meio Ambiente e a Educação são as coisas mais importantes de uma sociedade. Temo em dizer que a cultura, para mim, talvez seja até mais importante. E é praticamente óbvio, que você, leitor, não concorde comigo… Será?

Para mim, Cultura é o que a gente é. É como nós, seres humanos, nos afetamos e nos deixamos ser afetados. Como nos manifestamos poeticamente, como descobrimos formas de nos adaptar em uma sociedade tão doida como a nossa. Acho que é o que nos impede de enlouquecer… É o que nos transmuta, transforma. Uma peça de teatro valiosa, muda o outro. Muda o ator e muda o espectador. Uma música é capaz de transformar comunidades, uma obra de arte, pode nos levar além da nossa vida, um livro pode nos ensinar a ser melhores e enfrentar o mundo com mais dignidade e amor. Amor por nós mesmos e pelo o outro. Como ainda tratamos Cultura como uma coisa menor? Artistas como párias, como marginais? Até hoje (e lá se vão 20 anos de trabalho árduo), ainda vejo incredulidade nos olhos dos outros quando digo que sou atriz…

É com essa indignação que resolvi escrever este texto, que já está ficando longo e panfletário, como não poderia deixar de ser. Não sei se você sabe, mas aqui no Distrito Federal temos um Fundo de Apoio à Cultura, o FAC. Ele foi uma grande conquista da classe artística da cidade, é o maior fundo para a cultura de todo o país. Sempre quando falo dele para os artistas de fora do DF, todos ficam surpresos e, de certa forma, com um pouquinho de inveja. Mas a inveja é menor do que vontade de lutar por um fundo igual ou maior em suas cidades.

Para além dos problemas de administração desse fundo em cada governo eleito (o FAC foi criado em 1991, no governo de Joaquim Roriz), estamos sofrendo um golpe violento neste momento. E quando digo estamos, incluo você, que me lê agora. O atual governo do DF está com as mãos prestes a pegar dinheiro deste fundo que foi tão batalhado por tantas pessoas. Pela lei, isso não pode ser feito. Mas o que é a lei senão um conjunto de normas a serem ignoradas em nosso país? O governo Agnelo vai deixar um grande rombo e quer utilizar o dinheiro do FAC para outros fins que não estão previstos em lei para pagar suas dívidas. Como é dinheiro da Cultura, tudo bem, né? Se fosse da Saúde, da Segurança… Daí é que a porca torcia o rabo, não é mesmo? Pois eu digo: NÃO!!!!!!!!!!!!!!!NÃO!!!!!!!!!!

Deixemos de olhar o mundo e a vida com olhos tão caretas e percebamos que o que a gente precisa mesmo é de se sensibilizar, de olhar para nós mesmos e para os outros com doçura e aí sim, vamos poder mudar o mundo, que tá precisando.

Lembrei de um poema de Bertolt Brecht:

Junto com quem não haveria de sentar-se o justiceiro para ajudar a justiça?

Que remédio seria ruim demais para quem agoniza?

Que baixeza tu não praticarias para acabar de vez com a baixeza?

Se pudesses, enfim, mudar o mundo, te julgarias bom demais para isso?

Afinal, quem és tu?

Chafurda na sujeira,

Abraça o magarefe,

E muda o mundo que ele está precisando.

Então é isso. Convoco à todas e todos que me lêem a tentar mudar um pouquinho esse mundo torto e lindo:

  • Compartilhem e assinem:

https://secure.avaaz.org/po/petition/Deputados_e_Populacao_do_DF_SALVEM_O_FUNDO_DE_APOIO_A_CULTURA/?ledyjab&pv=0

  • Compareçam amanhã, terça dia 26/11/2014,  à Câmara Legislativa do DF, faremos um Ato em defesa do FAC, pressionando os deputados para que votem contra esse roubo do governo.
  • Tentem se informar, deem uma olhada no grupo do Facebook: https://www.facebook.com/groups/360058520765126/

E vamos nessa que é legal à beça! Não sou muito fã de ficar enchendo o saco dos outros para que façam coisas, mas hoje tive essa vontade de divulgar mais ainda esse absurdo! Ainda não entendo como isso ainda não está nas capas de jornais, nas manchetes, na TV…

Valeu, gente!

Um beijo grande!

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