QUANDO O CORAÇÃO TRANSBORDA – breve temporada e longa reflexão

Informações temporada Mapati - outubro/novembro 2015

Toda vez que vou escrever sobre o “Quando o Coração Transborda” vem tanta coisa à minha cabeça que já nem sei mais o que escrever, porque fico com medo de me perder em meio a tantas reflexões e sensações. Ao mesmo tempo, toda vez que acaba uma apresentação me dá vontade de escrever sobre ela, de falar como me senti e de como me sinto, mesmo sabendo que isso talvez não interesse a ninguém, ou talvez interesse a poucos e que talvez não seja tão importante assim. Fico pensando que é uma coisa minha, só pra mim e que ficar falando sobre o que eu sinto pode ser uma coisa chata e meio presunçosa, não sei. De qualquer forma, tenho sentido essa necessidade de falar sobre a peça e de refletir, abertamente, sobre tudo o que acaba me movendo quando me apresento com ela. Acabo sentindo que isso é uma coisa que eu ainda tenho necessidade de compartilhar, por vaidade, por mobilização, por amor, pelo teatro, sei lá!

Ontem tive mais uma apresentação e, como tem acontecido, assim que as luzes se apagam, no fim da peça, eu me sinto assim, meio desprotegida, bastante sensível e muito emocionada. Tem sido assim, invariavelmente assim. É como se tivesse passado um trator em cima de mim. Não sei se é bom ou ruim, mas sei que é meio cansativo e ao mesmo tempo muito gratificante, mesmo quando não tem quase ninguém na plateia. Já aprendi há muito tempo que o fato de ter muita gente na plateia não significa que o espetáculo vai ser melhor, que todos vão ‘entrar no clima’, que eu, como atriz, vou fazer melhor do que faria se tivesse menos gente. Não. Isso seria negar e negligenciar todo o trabalho e prazer que fazem parte do estar em cena. Sempre me neguei a acreditar nisso. É claro que ter bastante gente na plateia é legal, ao mesmo tempo, já tive apresentações com um público gigante que não foram tão marcantes como outras, onde o público era menor. Uma das melhores apresentações que fiz do “Quando o Coração Transborda” teve um público de cinco pessoas… Agora, vou te dizer que eu estas cinco pessoas saímos transformados do teatro. Eu senti isso. De verdade. Eram pessoas que eu não conhecia, que não sabiam de nada da minha história e da história do Esquadrão da Vida.

Por outro lado, no contexto dessa temporada tão pequena que estou fazendo, é importante a presença do público por razões que não tem a ver com o desenrolar e o desenvolvimento da peça. É porque resolvi fazer na cara e na coragem, sem patrocínio algum e com o apoio das pessoas que trabalham junto comigo, que acreditam na peça e em mim. Ontem falei sobre isso no final do espetáculo. Ninguém está recebendo nada, estamos contando com a bilheteria. Também o Teatro Mapati entrou nessa dança, sendo parceiro de verdade, acreditando na gente, na peça. Isso me emociona muito e me diz que tudo é resultado de um trabalho desenvolvido há anos com o Esquadrão da Vida, um reconhecimento de uma história, a legitimação do trabalho árduo, realizado diariamente há tanto tempo… Muito bom saber disso! É reconfortante, me incentiva e me faz acreditar que é importante seguir fazendo, trabalhando e criando novas conquistas. A minha necessidade de fazer a peça, além de ser bem pessoal, também tem a ver com o momento que estamos vivendo, com essa PEC 215, dos índios, que foi votada essa semana, com esse PL nojento do deputado Eduardo Cunha, com tantas barbaridades que são cometidas diariamente contra crianças e mulheres. É meu jeito de não me calar, de reivindicar por um mundo mais igualitário, com mais compaixão. Acredito com todo meu coração que a Arte é transformadora quando feita com amor, seriedade, disciplina e coragem. É isso que procuro fazer com “Quando o Coração Transborda”. E é isso que quero dividir com você que está me lendo agora, quando for me assistir.

foto de Ico oliveira

foto de Ico oliveira

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