A arte de resistir

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Foto: Humberto Araújo

Mais uma vez, Maíra Oliveira, diretora e atriz do Esquadrão da Vida, entra em cartaz com o espetáculo “Quando o Coração Transborda”. E mais uma vez, escreve aqui:

“Quem me acompanha  no Facebook  sabe que quando começo a escrever sobre o Esquadrão da Vida e sobre o meu espetáculo “Quando o coração transborda”, o negócio vai ficando intenso, dramático, longo e sei lá mais o quê. E, mais uma vez, não poderei evita-lo, ainda mais que quase desisti de escrever. São tempos confusos, são muitas reflexões a respeito de muitas coisas. São muitas bandeiras a serem defendidas e eu, querendo a mudança no mundo (tá, eu sei que sou piégas, gente), fico querendo falar de tudo ao mesmo tempo agora e acabo fazendo meu resumo: todo dia era dia de índio.

Domingo estive na Marcha das Flores e chorei abraçada a uma amiga, a Iara, a quem tenho o privilégio de conhecer desde criança, quando ela, adolescente, passou a fazer parte do Esquadrão da Vida. Esse abraço feminino foi tão forte pra mim, em meio a tantas mulheres, flores, spray de pimenta e o ridículo cerco à estátua da Justiça por seguranças, que minha vontade era só falar e escrever sobre isso. Sobre as mulheres. Sobre o feminismo.

Também quando o presidente viperino acabou com o Ministério da Cultura e aconteceram as ocupações em todo o Brasil, inclusive aqui em Brasília e eu fiquei refletindo sobre ela, achando o movimento importantíssimo mas ao mesmo tempo sem tesão de ocupar ali… Quis escrever sobre isso.

E sobre os incríveis e mirabolantes acontecimentos diários, na nossa política e no nosso mundo, que se refletem no nosso cotidiano, de uma forma ou de outra e que nos provocam, o tempo todo, a pensar, a agir, a falar, a se posicionar. Fui obrigada a ouvir de algumas pessoas que se meu pai estivesse vivo ele faria isso, ou faria aquilo, como se meus posicionamentos tivessem que, de alguma forma, ser idênticos aos do meu pai, que inclusive já morreu há treze anos. Alguns disseram que “estranharam a posição vacilante da filha do Ary” (vale frisar aqui que tenho seis irmãos), porque eu simplesmente ousei falar que achava que tínhamos que nos reinventar, achar novas formas de mobilização e até de enfrentamento, porque as que estão aí, no meu ponto de vista, são velhas, caretas, antigas e não tocam as pessoas, que dirá a mim. Ainda que eu acredite que estar na rua vai ser sempre, sempre, sempre, infinitas vezes sempre – fundamental, essencial, primordial. Então também queria falar e escrever sobre tudo isso.

E com todas essas questões e pensamentos, às vezes eu penso que tudo o que eu faço é pouco. E que divulgar um espetáculo de teatro nessas conjunturas atuais, me parece uma viagem egocêntrica. E me sinto mal por isso.

Daí hoje, fui divulgar o “Quando o coração transborda” no Instagram e, naturalmente, sem eu pensar muito, eu escrevi uma coisa que me veio do coração: “às vezes acho pouco fazer o que eu faço. Mas quando eu tô lá, no palco, sinto que é isso que devo fazer. É meu protesto maior”. Quem me dera um mundo onde a Arte fosse a imperatriz. Nosso guia. Nossa religião.

Entro em cartaz mais uma vez, apostando no trabalho como minha maior ferramenta para lutar por um mundo mais igualitário. Para lutar por um mundo que exercita a empatia, a compaixão e a tolerância diariamente, com todas as dificuldades que aparecem e aparecerão, invariavelmente. Para tanto, conto com a companhia dos meus parceiros da Ocupação Conchita, capitaneada pela Cia Burlesca e pelo Movimento Dulcina Vive que tem resistido em um espaço que é a cara do Esquadrão: o Conic. Não é fácil resistir, mas é doce quando sabemos que não estamos sós. Agradeço demais a todos que estão envolvidos neste projeto de resistência. No Dulcina, em Brasília, no DF, no Brasil e no mundo. E convido a todos para resistir com a gente. Tem “Quando o coração transborda” todos os sábados e domingos de junho, sempre às 20h, na Sala Conchita de Moraes do Teatro Dulcina. E, para as crianças, às 16h, tem espetáculo da Burlesca. Não temos patrocínio, sua presença ajuda o Conic e a vida cultural da cidade. E, para que não esqueçamos nunca: todo dia era dia de índio.”

SERVIÇO

QUANDO O CORAÇÃO TRANSBORDA

DE 04/06 a 26/06

Sábado e domingo, sempre às 20h.

Local: Sala Conchita de Moraes

Endereço: Setor de Diversões Sul, Prédio FBT (Teatro Dulcina)

Ingressos R$ 30 (inteira) e R$15 (meia)

Classificação etária: 14 anos

CONTATO

Maíra Oliveira – 98409.4694

Tatiana Carvalhedo (produção) – 98127.8667

ESPETÁCULOS INFANTIS – CIA BURLESCA

De 04 a 26 de junho

Sábados e domingos às 16h00

Local: Sala Conchita de Moraes

Endereço: Setor de Diversões Sul, Prédio FBT (Teatro Dulcina)

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)

Capacidade: 90 lugares

Classificação: livre

Informações: (61) 99902-5815

 

 

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