Esquadrão da Vida e Espaço Imaginário – um caso de amor

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Maíra Oliveira em “Quando o Coração Transborda”. Foto de Humberto Araújo

Maíra Oliveira, atriz do Esquadrão e diretora da trupe, se apresenta mais uma vez no Espaço Imaginário, em Samambaia, com o espetáculo “Quando o Coração Transborda”. A apresentação acontece hoje, dia 12 de novembro de 2016, às 20:00. E, mais uma vez, ela fez um texto para divulgar o espetáculo. Lá vai:

“Quem me conhece sabe que eu tenho um jeito meio Pollyanna de ser. Muitos acham que isso é meio que dizer que sou um pouco boba, porque otimismo hoje em dia é uma coisa que não cola bem. Eu até entendo, já que realmente existe essa forma de pensar que as coisas são porque tem que ser, que tudo é lindo maravilhoso quando sabemos que não é. Muito pelo contrário. A vida é dura e difícil, às vezes mais para uns do que para outros, mas todos nós, de uma forma ou de outra, sempre nos deparamos com questões complexas, tristes e muito difíceis em alguns momentos de nossa vida, muitas vezes em vários. E essas questões podem envolver coisas pessoais, particulares ou podem ser mais amplas, questões que envolvem muitas pessoas, nossa cidade, nosso país, nosso mundo, a humanidade.

Tenho me perguntado muito sobre o sentido das coisas, seja no meu universo particular, seja no universo social e político que estamos vivendo. Penso no ciclo da vida e nas coisas que me são caras. Esses pensamentos que acabam nos levando a nada ou, talvez, como eu quero crer, a tudo. E olha que tudo é muito! E olha que tudo também é nada! Eu tenho uma tatuagem bem mal feita no meu braço com o símbolo  Yin Yang, que pra mim fala muito e nada ao mesmo tempo, como tudo na vida. Se você que me lê agora já viu meu monólogo “Quando o Coração Transborda”, você deve se lembrar que meu maior mantra é : é ruim mas é bom.

Quando o Donald Trump foi eleito, também o Crivella no Rio, também o Dória em São Paulo, e outros tantos eleitos nas últimas eleições, meu mantra ficou reverberando em mim. Por mais que eu tenha ficado chateada e compreenda a gravidade da situação, não quero sair do Brasil, não quero passagem pra Marte nem pra qualquer outro lugar do mundo ou do universo. Não quero que a humanidade acabe, não acredito que o ser humano é mau (essa eterna crença pequena de que o mundo é dividido entre o bem e o mal, como se a gente fosse sempre uma coisa só) e que estamos aqui, todos querendo matar um ao outro. Não  acredito que os reacionários são mais fortes do que quem acredita na possibilidade do sonho, que acredita em uma vida mais igualitária. Eu sei que não é tão simples assim e que às vezes parece que tudo que a gente leva é PORRADA, PORRADA, PORRADA. Físicamente, moralmente, éticamente. E é muito duro, muito duro, muito duro. Porque a luta da vida não é fácil, porque somos diferentes, porque somos muitos, os humanos. Somos ódio e amor, dor e dulçor. Mas o mundo é muito doido e tão cheio de idiossincrasias que parece às vezes que vai acabar. E vai mesmo, de uma forma de outra. O que nos resta então? “Só nos resta viver…”, já nos cantou Angela Ro Rô. Agora, temos que nos atentar pra essa vida que a gente leva, né? Eu tenho optado, à duras penas, viver a vida que eu escolhi viver com um pouco mais de coerência. Fazendo o que amo fazer, do jeito que tenho conseguido fazer. Nem sempre são rosas, mas acho que tem valido à pena. E quando me dá insegurança, me apoio no teatro para ele me dar força. E me junto com as pessoas que amo e admiro.

Hoje faço o “Quando o Coração Transborda” aqui no Espaço Imaginário, em Samambaia. Um espaço cultural lindo em todos os sentidos: é gostoso, aconchegante, cheio de belezinhas. Por outro lado, é um espaço forte, de resistência, o único teatro de Samambaia. Me apresentei aqui no ano passado, uma das apresentações foi especialmente bem marcante. Tinha apenas 5 pessoas e elas estavam tão envolvidas que o espetáculo foi lindo! Cheio de amor e de reflexão, como é qualquer peça de teatro feita com vontade, disciplina e entrega – e essas coisas não me faltam (oxalá não deixem de me faltar nunca!).

Tenho falado isso bastante, mas acho que temos que exercitar bastante nossa empatia, nossa compaixão, estamos muito precisados disso. A melhor forma que eu, Maíra, encontrei para fazer isso, é fazendo teatro e sendo o que eu sou, vivendo a vida que imaginei. Não consigo alugar nada em meu nome, não tenho carro, não tive filhos ainda, não tenho salário, não tenho namorado. Mas gente, eu tenho um ímpeto, um borbulhar, que nem sei! O que tá acontecendo nesses últimos tempos só me fortalece para eu ir atrás das coisas que eu acredito.

E hoje eu me junto ao Imaginário, no “Quando o coração transborda” para mostrar isso. Ocupa! Ocupa! Ocupa e resiste!!!”

QUANDO O CORAÇÃO TRANSBORDA

SÁBADO, 12 DE NOVEMBRO DE 2016

LOCAL: ESPAÇO IMAGINÁRIO

ENDEREÇO: QS 103 CJ 05 LT 05 – SAMAMBAIA SUL

ÀS 20H

ENTRADA FRANCA

 

 

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