Ensaio aberto – “Quando o coração transborda” – Ocupa Dulcina

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Foto de Humberto Araújo – Cenário “Quando o coração transborda”

Já estou há um tempão querendo escrever mas ao mesmo tempo com uma dificuldade imensa pra começar, sei lá o por quê. Ou talvez saiba e esse por quê talvez não venha ao caso. Só talvez.

No dia 31 de dezembro de 2016 o Esquadrão da Vida fez 37 anos. Eu quis escrever sobre isso, postar no blog e no Facebook mas não o fiz.

Depois, no dia 07 de março de 2017, comemorei internamente a estreia do espetáculo “Quando o coração transborda”, que aconteceu há dois anos atrás. Também quis escrever, falar sobre minha experiência com a peça, comemorar mais publicamente (inclusive pra ajudar na divulgação, né?) e, novamente, não o fiz.

O fato é que amanhã eu vou fazer um ensaio aberto da peça lá na ocupação do Dulcina, daí eu pensei que tinha que escrever alguma coisa, apesar de que nesse momento meu, eu acho que eu não TENHO que fazer nada. Eu acho que eu tenho que fazer SE EU QUISER fazer e isso é uma luta diária porque nem sempre fazemos o que queremos fazer e, paciência, coisas da vida.

Comemorar 37 anos de história do grupo me põe em mil questionamentos. Há um tempo atrás uma amiga disse que discutiu com seu grupo de teatro porque tinha gente lá que achava que o Esquadrão era um grupo e ela afirmava que não mais. Que usávamos a pessoa jurídica (que nem existe, apesar de já termos tentando tantas vezes e que, no entanto, há muitos anos não conseguimos mais ser – já fomos ONG, associação, produtora…), mas que já não trabalhávamos mais como grupo mesmo. Eu fiquei olhando pra ela com uma cara de interrogação e disse que eu mesma achava que a gente estava trabalhando. E afirmo isso por conta do “Quando o coração transborda” que é um projeto do Esquadrão. Na verdade, a ideia para o projeto surgiu a partir de uma grande crise que tive com o grupo e que reverbera até hoje na minha vida. Enquanto não estamos na rua ou mesmo ensaiando em grupo, estou fazendo projetos, estou pensando em espetáculos, estou arrumando o acervo (nem me fale dessa parte!) embora, de fato, não esteja trabalhando com um elenco e acho que por isso entendo o que essa amiga me falou – e até concordo um pouco, pra ser sincera. Porque o trabalho em grupo não é só uma coisa esporádica, não é uma investigação, uma pesquisa, uma ‘vivência’ individual. É algo que acontece entre algumas pessoas, pelo menos mais de uma. Pra mim, o trabalho em grupo é a coisa mais valiosa do teatro. É o que permite as maiores e mais incríveis pesquisas e descobertas teatrais (e não que elas não aconteçam individualmente, mas em grupo é uma coisa especial porque é uma vontade coletiva, um sonho coletivo, no meio de tantas diferenças). E o teatro é isso. Nada mais lindo que a descoberta de caminhos, linguagens, forças e formas feita em conjunto. É uma coisa arrebatadora, sinto muita falta disso. Ao mesmo tempo, optei neste momento, por seguir com um monólogo que fala também sobre essa experiência de grupo. E que me move muito, justamente porque atrás de toda sua construção, há uma história de 37 anos. E isso eu demorei pra entender dentro de mim. Porque esse monólogo só existe porque existe a história do grupo, que está cravada em mim, como tatuagem. E é muito doido que muitas pessoas que já viram o “Quando o coração transborda” e que conhecem o Esquadrão, falam pra mim que eu sou o Esquadrão. Que a peça, do jeito que é, é como se fosse o Esquadrão na rua. Dentro de mim, eu sei que é diferente, que não é a mesma coisa, mas entendo completamente quando me falam isso. E me encho de orgulho.

No momento, não estou com o grupo (no caso, com um elenco de atores) nas ruas ou mesmo no teatro, porque não é o tempo. Porque eu não quero, embora sinta muitas, mas muitas saudades. Porque agora é o tempo do “Quando o coração transborda” e eu preciso respeitar isso. Porque esse espetáculo também faz com que pessoas que não conheciam o Esquadrão, passem a conhecer. E essa história, tão rica e tão linda, vai seguindo em frente. Porque o Esquadrão da Vida, na verdade, não é só um grupo de teatro. É muito mais. E é muito difícil pras pessoas entenderem isso, eu sei. Junto comigo estão inúmeras pessoas que fazem parte dessa história. E demoraram muitos anos pra que eu conseguisse entender isso. Com a estreia do “Quando o coração transborda” isso ficou ainda mais claro.

Eu respeito o tempo das coisas, embora às vezes seja muito difícil pra mim. O tempo agora é de eu falar dessa história. E pra ser bem sincera, eu acho que eu estou ‘na rua’ com o Esquadrão. E sinto e sei, que com paciência e sabedoria, vou continuar essa história, se eu quiser.

Agora, eu quero. E amanhã, dia 24 de março de 2017, mostro isso em um ensaio aberto, às 16:00, na sala Conchita de Moraes do Teatro Dulcina, em apoio à ocupação que está acontecendo ali. E esse apoio, vem do meu aprendizado constante com o Esquadrão da Vida, que segue firme e forte. Talvez não da maneira mais adequada, mas da maneira que eu estou conseguindo que siga.

Vlw flw.

Quando o coração transborda01

Foto da Bruna Neiva, que mesmo não sendo atriz, é do Esquadrão desde pequenininha…

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