Entrevista para o Metrópoles

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Foto: Ândrea Possamai

A nossa diretora, Maíra Oliveira, está em cartaz com o monólogo “Quando o coração transborda”, que conta um pouco da história do Esquadrão da Vida, através do seu olhar e de sua relação com o pai, Ary Pára-raios, o criador do grupo. O Metrópoles fez uma entrevista com ela para a divulgação da temporada. Sergio Maggio, o entrevistador, sugeriu que a publicássemos na íntegra. Então, lá vai:

ENTREVISTA SERGIO MAGGIO

Essas lembranças que vão à cena são flashes de sua história e da trajetória de Seu Pai. Vc acha que o DF guarda bem a memória dele?

Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, porque são vários tipos de memória, né? Em relação à coisa material, é claro que não. Quando ele estava vivo isso já era difícil – a conservação do material do Esquadrão da Vida. Imagina agora! Esse tipo de material precisa sempre de manutenção, muita coisa ainda precisa ser digitalizada, temos vídeos em super 8, fotos que não tem filmes, matérias de jornais que estão bem cuidadas, mas o papel é uma coisa difícil de se conservar… Fora figurinos, peças de cenário. Muita coisa o grupo aproveita mas aproveitaríamos melhor se tivéssemos um espaço adequado, com tudo muito bem organizado e catalogado, porque sempre é um trabalho muito grande mexer nesse acervo. O ideal seria alguém que fosse especialista em conservação e memória que pudesse estar junto com a gente pra cuidar. Tudo isso tem custos, e custos que o Esquadrão não tem tido como arcar. É difícil…

Mas com relação à memória das pessoas, a afetiva, sinto que ele – meu pai – meu está vivo na vida e no coração de muita gente aqui em Brasília. É uma coisa bonita de se viver… De qualquer forma, é claro que essa memória, que faz parte da história cultural da cidade, pode sempre ser reinventada e revisitada. Isso é importante para o fortalecimento da cidade como um lugar fértil de criação artística e cultural, que não está só atrelada à Esplanada dos Ministérios e à Praça dos Três Poderes. Existe uma geração de pessoas que ainda não teve a oportunidade de ver o Esquadrão nas ruas, uma vez que a nossa última apresentação na rua foi em 2012. Ainda assim, o “Quando o Coração Transborda” é um projeto do Esquadrão da Vida que tenta, de uma maneira menos ‘formal’ talvez, guardar e amplificar essa memória.

Na sua percepção, qual o maior legado que Ary deixou pra Brasília?

O Esquadrão da Vida. Porque com o Esquadrão, vem junto o pensamento que o envolve desde sua criação: a possibilidade de reflexão sobre o direito à cidade. O direito de vivê-la em sua plenitude, com a ocupação lúdica e poética dos seus espaços em harmonia com os seus habitantes. A Arte como um direito de todos nós, como uma possibilidade revolucionária de mudança e transformação. O libelo da Arte e do Teatro como arma democrática contra a caretice.

E dentro de tudo isso, o legado de um sem número de pessoas que se consideram parte dessa escola que é o Esquadrão da Vida. Pessoas que, às vezes mesmo sem trabalhar com teatro, seguem em um projeto de vida e de compreensão do mundo que tem a ver com a vivência libertária que é participar de um grupo de teatro como o Esquadrão da Vida.

Ary pedia paz, lutava pelo meio ambiente, pela democratização da cultura, dos espaços públicos, pela liberdade de expressão havia uns 40 anos. E hoje continuamos a clamar pelos mesmos temas. Vc sente ele como um visionário, um xamã?

Não, não o sinto como um visionário e nem como um xamã, mas como um homem que viveu o seu tempo e sua vida de forma intensa, conflituosa e apaixonada. Um homem sensível e atento às delicadezas do mundo, às potencialidades individuais do ser humano, uma pessoa especial. Não sei se ele era exatamente um xamã mas às vezes penso que ele foi um homem à frente do seu tempo, talvez por tê-lo vivido de forma visceral, generosa e contestadora.

Depois da morte dele, o Esquadrão virou um peso pra vc? A peça mostra um pouco desta crise. Como as coisas se transformaram para a leveza?

Na verdade, o Esquadrão da Vida tinha um pouco de peso pra mim quando meu pai estava vivo ainda. A crise mais pesada aconteceu no início da minha vida adulta quando passei a questionar se devia continuar trabalhando só com o meu pai e com o Esquadrão. Queria experimentar trabalhar com outras pessoas, descobrir se era aquilo mesmo, o Esquadrão, que eu queria. Quando enfim eu descobri que era isso mesmo, tudo se resolveu. Eu passei a trabalhar mais intensamente com o Esquadrão, a ponto de virar assistente de direção do meu pai e, depois de sua morte, assumir tudo do grupo, naturalmente. Daí, comecei a aceitar que meu pai era meu mestre, a pessoa que me abriu as portas do Teatro e me mostrou que eu era atriz e que, pro bem ou pro mal, essa era a minha história. Tem uma frase que eu sempre falo e que virou meu mantra (eu digo isso na peça), que é: é ruim mas é bom. Pra toda leveza há um peso, temos que achar um equilíbrio. Se o peso fosse maior, eu certamente não ia querer estar no lugar em que estou hoje, responsável pelo Esquadrão.

Como anda o acervo de Ary? O estado de conservação?

As coisas estão entre a minha casa e a da Caísa, que foi atriz do grupo. Moro sozinha em um apartamento alugado de dois quartos. Um dos quartos é o quarto do Esquadrão, mas na verdade, em praticamente todos os cantos dela tem coisas dos Esquadrão, porque não cabem só no quarto. Muitas coisas eu uso no “Quando o coração Transborda”, mas não chega a ser nem a metade do que temos: instrumentos, cenários, quadros, documentos, vídeos (alguns já digitalizados, outros não), fotos, jornais e revistas, um bumba meu boi que o Seu Teodoro nos deu, lonas, malas, chapéus e um monte de outras coisas. Em algumas coisas estou sempre mexendo e remexendo, arrumando… No momento, tem uma estante cheia de documentos iconográficos, cartazes de intervenções, fotos e outras coisas, que tem uma prateleira que caiu e eu ainda não consegui arrumar, porque não tenho dinheiro pra isso. Então tudo está caindo, uma coisa em cima da outra. Muito pó, muitas coisas que precisam ser arrumadas.

Na casa da Caísa, tá tudo no porão. Tenho uma angústia danada por não ir lá pra ver as coisas, parece que algo me imobiliza, não sei. Já faz mais de dois anos que não apareço por lá para ver nosso material, que é um material que não utilizamos todo o tempo e que não sei se jogo fora. Porque na verdade, eu posso até arrumar, passar lá, mas sempre vou ter essa questão de como é que eu guardo essas coisas. Me incomoda muito que tudo isso esteja longe de mim e do grupo, em uma outra casa, que não é nossa. Mesmo que a Caísa sempre me diga que não tem problema, sabe?

E tem material que eu posso não estar usando agora, mas que tenho certeza que posso reutilizar de alguma forma em algum outro momento. Tem muitos jornais VivAlternativa, que era um jornal produzido pelo meu pai, tem o cenário do “Filhote do filhote de Elefante” (primeira peça do Esquadrão que dirigi depois de sua morte) e um monte de outras coisas. Porque são muitas coisas pra cuidar e acaba que vou dando mais atenção para as peças e para o fazer, adoraria ter alguém em quem confiasse e que nos acompanhasse sempre, que fizesse a organização de tudo, catalogasse, registrasse… Mas não como uma coisa de museu, e sim como organização de um material que usamos de várias maneiras, como pesquisa para novos trabalhos, para estudos e para, é claro, que as pessoas tivessem mais acesso à essa história/memória de Brasília.

Essa peça mexe com o imaginário de quem assiste, fala de sonhos, missões, desencontros e possibilidades. Qual o sentido dela pra vc?

Nossa! Que pergunta difícil de ser respondida! Bom, a primeira coisa que me veio à cabeça para responder a essa pergunta são esses versos do poema “O Guardador de Rebanhos”, do Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa):

“Porque o único sentido oculto das coisas

É elas não terem sentido oculto nenhum,

É mais estranho do que todas as estranhezas

E do que os sonhos de todos os poetas

E os pensamentos de todos os filósofos,

Que as coisas sejam realmente o que parecem ser

E não haja nada que compreender.

 

Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —

As coisas não têm significação: têm existência.

As coisas são o único sentido oculto das coisas.”

Sei que essa resposta talvez não seja satisfatória (do ponto de vista de uma entrevista para divulgar a peça) e nem quero dar uma de intelectual. Mas o sentido da peça está na própria peça, para mim. No meu amor pelo Teatro e na visão, compreendida pela minha vida com o Esquadrão, de que a Arte é revolucionária. E de que, como meu pai escreveu em um bilhete pra mim: “A Arte é nosso Deus e o Teatro nosso sacerdote. Nosso purgatório é nosso Olimpo.” Faço porque preciso fazer. Talvez seja esse o maior sentido.

Explica um pouco a ideia de “todo dia era dia de índio” nas redes?

Toda vez que estou junto com índios, seja em protestos, seja me apresentando em uma aldeia, seja convivendo de alguma outra forma – na cidade, na universidade, na Câmara dos Deputados – minha cabeça fica à mil. Um dos meus maiores ídolos foi o Darcy Ribeiro, me identificava e me identifico muito com a forma que ele enxergava o Brasil e a construção da nossa identidade, tão rica e ao mesmo tempo tão complexa.

Todo dia era dia de índio, para mim, fala sobre toda essa complexidade da sociedade brasileira e, em última instância, de como nos vemos no mundo. Fala sobre como construímos essa identidade atropelando outras identidades. Sobre o deslocamento da vida integrada com a natureza e nosso meio ambiente, para uma vida onde o verbo ter é o mais importante. Fala sobre como olhamos o outro e o exercício diário de tolerância para a convivência harmoniosa com esse outro, mesmo entendendo que isso é muito difícil. Todo dia era dia de índio, me lembra que eu sou índio, que somos todos índios, negros, amarelos, loiros, ruivos. Me provoca no sentido de despertar – em mim em primeiro lugar – a empatia pelo outro. Estamos precisando muito disso: exercitar nossa empatia, nossa compaixão.

E acho pouco falar só índio, na verdade. Porque são tantos índios! Com tantas línguas diferentes, tantos costumes e culturas, tantas diferenças, tantas particularidades. E é tão lindo que eles estejam resistindo entre nós e que estejam dentro de nós! E ao mesmo tempo, tão doloroso que é esse não-lugar que estamos impondo a eles, desde 1500. E ao mesmo tempo que digo estamos não acho legal, porque eu também sou índia. E ao mesmo tempo, não sou. Então resumindo tudo, tudo mesmo, até a crise política atual, com esse golpe. Até o estupro de uma menina por 30 homens. Até isso me faz lembrar, diariamente, que todo dia era dia de índio. Minha pequena intervenção poética, política e pessoal nas redes sociais há mais de três anos.”

A matéria saiu assim:

Maíra Oliveira, o coração onde mora o palhaço Ary-Pára Raios

E, para assistir o “Quando o coração transborda”, tem que seguir essas coordenadas:

SERVIÇO

DE 04/06 a 26/06

Sábado e domingo, sempre às 20h.

Local: Sala Conchita de Moraes

Endereço: Setor de Diversões Sul, Prédio FBT (Teatro Dulcina) – CONIC

Ingressos R$ 30 (inteira) e R$15 (meia)

Classificação etária: 14 anos

CONTATO 

Maíra Oliveira – 8409.4694

Tatiana Carvalhedo (produção) – 8127.8667

 

 

 

 

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A arte de resistir

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Foto: Humberto Araújo

Mais uma vez, Maíra Oliveira, diretora e atriz do Esquadrão da Vida, entra em cartaz com o espetáculo “Quando o Coração Transborda”. E mais uma vez, escreve aqui:

“Quem me acompanha  no Facebook  sabe que quando começo a escrever sobre o Esquadrão da Vida e sobre o meu espetáculo “Quando o coração transborda”, o negócio vai ficando intenso, dramático, longo e sei lá mais o quê. E, mais uma vez, não poderei evita-lo, ainda mais que quase desisti de escrever. São tempos confusos, são muitas reflexões a respeito de muitas coisas. São muitas bandeiras a serem defendidas e eu, querendo a mudança no mundo (tá, eu sei que sou piégas, gente), fico querendo falar de tudo ao mesmo tempo agora e acabo fazendo meu resumo: todo dia era dia de índio.

Domingo estive na Marcha das Flores e chorei abraçada a uma amiga, a Iara, a quem tenho o privilégio de conhecer desde criança, quando ela, adolescente, passou a fazer parte do Esquadrão da Vida. Esse abraço feminino foi tão forte pra mim, em meio a tantas mulheres, flores, spray de pimenta e o ridículo cerco à estátua da Justiça por seguranças, que minha vontade era só falar e escrever sobre isso. Sobre as mulheres. Sobre o feminismo.

Também quando o presidente viperino acabou com o Ministério da Cultura e aconteceram as ocupações em todo o Brasil, inclusive aqui em Brasília e eu fiquei refletindo sobre ela, achando o movimento importantíssimo mas ao mesmo tempo sem tesão de ocupar ali… Quis escrever sobre isso.

E sobre os incríveis e mirabolantes acontecimentos diários, na nossa política e no nosso mundo, que se refletem no nosso cotidiano, de uma forma ou de outra e que nos provocam, o tempo todo, a pensar, a agir, a falar, a se posicionar. Fui obrigada a ouvir de algumas pessoas que se meu pai estivesse vivo ele faria isso, ou faria aquilo, como se meus posicionamentos tivessem que, de alguma forma, ser idênticos aos do meu pai, que inclusive já morreu há treze anos. Alguns disseram que “estranharam a posição vacilante da filha do Ary” (vale frisar aqui que tenho seis irmãos), porque eu simplesmente ousei falar que achava que tínhamos que nos reinventar, achar novas formas de mobilização e até de enfrentamento, porque as que estão aí, no meu ponto de vista, são velhas, caretas, antigas e não tocam as pessoas, que dirá a mim. Ainda que eu acredite que estar na rua vai ser sempre, sempre, sempre, infinitas vezes sempre – fundamental, essencial, primordial. Então também queria falar e escrever sobre tudo isso.

E com todas essas questões e pensamentos, às vezes eu penso que tudo o que eu faço é pouco. E que divulgar um espetáculo de teatro nessas conjunturas atuais, me parece uma viagem egocêntrica. E me sinto mal por isso.

Daí hoje, fui divulgar o “Quando o coração transborda” no Instagram e, naturalmente, sem eu pensar muito, eu escrevi uma coisa que me veio do coração: “às vezes acho pouco fazer o que eu faço. Mas quando eu tô lá, no palco, sinto que é isso que devo fazer. É meu protesto maior”. Quem me dera um mundo onde a Arte fosse a imperatriz. Nosso guia. Nossa religião.

Entro em cartaz mais uma vez, apostando no trabalho como minha maior ferramenta para lutar por um mundo mais igualitário. Para lutar por um mundo que exercita a empatia, a compaixão e a tolerância diariamente, com todas as dificuldades que aparecem e aparecerão, invariavelmente. Para tanto, conto com a companhia dos meus parceiros da Ocupação Conchita, capitaneada pela Cia Burlesca e pelo Movimento Dulcina Vive que tem resistido em um espaço que é a cara do Esquadrão: o Conic. Não é fácil resistir, mas é doce quando sabemos que não estamos sós. Agradeço demais a todos que estão envolvidos neste projeto de resistência. No Dulcina, em Brasília, no DF, no Brasil e no mundo. E convido a todos para resistir com a gente. Tem “Quando o coração transborda” todos os sábados e domingos de junho, sempre às 20h, na Sala Conchita de Moraes do Teatro Dulcina. E, para as crianças, às 16h, tem espetáculo da Burlesca. Não temos patrocínio, sua presença ajuda o Conic e a vida cultural da cidade. E, para que não esqueçamos nunca: todo dia era dia de índio.”

SERVIÇO

QUANDO O CORAÇÃO TRANSBORDA

DE 04/06 a 26/06

Sábado e domingo, sempre às 20h.

Local: Sala Conchita de Moraes

Endereço: Setor de Diversões Sul, Prédio FBT (Teatro Dulcina)

Ingressos R$ 30 (inteira) e R$15 (meia)

Classificação etária: 14 anos

CONTATO

Maíra Oliveira – 98409.4694

Tatiana Carvalhedo (produção) – 98127.8667

ESPETÁCULOS INFANTIS – CIA BURLESCA

De 04 a 26 de junho

Sábados e domingos às 16h00

Local: Sala Conchita de Moraes

Endereço: Setor de Diversões Sul, Prédio FBT (Teatro Dulcina)

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada)

Capacidade: 90 lugares

Classificação: livre

Informações: (61) 99902-5815

 

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Quando o Coração Transborda – Breve temporada

 

 

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Dias 29, 30 e 31 de janeiro acontecerão apresentações do espetáculo “Quando o Coração Transborda”, da Maíra, diretora do Esquadrão. Vai ser no Teatro da Caixa, sexta e sábado às 20h e domingo às 19h. Os ingresso já estão à venda na bilheteria do teatro. Como serão vendidos apenas 80 ingressos por sessão, é legal comprar antes. Maíra fez um longo convite no texto a seguir. Apareçam!

“Então é assim: toda vez que vou me apresentar com o QUANDO O CORAÇÃO TRANSBORDA, me dá vontade de escrever um monte de coisa e colocar no Facebook. Já nem sei mais se é pra chamar gente, se é por vaidade, se é por necessidade. Só sei que escrevo e nem sempre sobre tudo o que quero em relação à peça e ao que sinto quando vou me apresentar com ela. E é tanta coisa que eu quero compartilhar com os outros, é tanta reflexão que tudo parece pouco, tudo parece piegas. Porque quando eu comecei a ter a ideia da peça, ao contrário do que muita gente pensa, não tinha a ver com o meu pai. Esse não era o pensamento principal. Tinha mais a ver com o Esquadrão da Vida e a história dele, que faz (junto com outras coisas, é claro), eu ser quem eu sou.

O Esquadrão da Vida nasceu subversivo. Em 1979, quando saiu pela primeira vez às ruas da capital, recebeu esse nome em contrapelo ao Esquadrão da Morte, que tinha um atuação pesada na época da ditadura. Então você dizer que era do Esquadrão da Vida, já era uma coisa perigosa. Hoje as coisas mudaram um pouco mas a subversão parece estar impregnada em mim. Parece, cada vez mais, que eu quero subverter a lógica alucinante dessa sociedade de consumo, de concursos públicos, de gente querendo silêncio o tempo todo, de gente normal. Quero ser anormal, quero pular carnaval, quero continuar vivendo do que faço, quero poder estar na rua, quero ser louca. E quero igualdade dentro das diferenças porque acho a diferença linda, mas só quando ela é celebrada e não escamoteada, punida. O meu espetáculo nasceu da vontade de subverter. Subverter quem eu sou, subverter esse mundo doido de injustiças, subverter minha relação com o teatro. Questionar. Refletir. Transbordar.

Quando vejo o poder das redes sociais para disseminar as coisas, as boas e as ruins, fico impressionada. Eu mesma circulei pelo Facebook com um vídeo, ao falar na Câmara Legislativa de Brasília um poema que estava entalado na minha garganta. Na semana passada, pulei carnaval na frente de uma placa da 202 Sul de Brasília porque não aguentei a foto de uma pessoa tapando os ouvidos com o dedo, questionando o barulho da cidade, o carnaval, a alegria. E daí um monte de gente vê o vídeos, me elogia, compartilha, fala um monte de coisas… E ao mesmo tempo que isso me deixa alegre e lisonjeada, tem uma outra coisa ali, dentro de mim, que me deixa um pouco sem jeito e meio ansiosa, sei lá. Porque eu sou aquilo mas ao mesmo tempo não sou, tenho um monte de inseguranças, me acho fuleira muitas vezes, sei lá. Mas a peça tem me fortalecido, apesar disso. E talvez isso aconteça pelo carinho e sinceridade que o público tem demonstrado quando me vê e me trata e isso tem se estendido às redes sociais. Eu, uma mini celebridade (celebridade de cú é rola, me desculpem) de Brasília, que tem o dinheiro pra pagar o próximo aluguel mas não tem a mínima ideia de como vai fazer pra pagar os próximos. Eu, que vou pular o carnaval com o Ventoinha de Canudo e tenho ojeriza quando penso que a polícia pode aparecer e reprimir. Eu, que comemoro com toda a força o presente que ganhei da minha prima: um cartão pra eu andar de ônibus com bastante crédito. Eu, que topei fazer essa temporada na Caixa contando só com a bilheteria e que, provavelmente, não vá ganhar quase nada porque tem que pagar os custos da peça. Eu, que convido você a me ver nesse próximo fim de semana no Teatro da Caixa para subverter, comigo, a lógica desse mundo véi doido. É ruim mas é bom. Obrigada por ter lido até aqui. Beijos”

INFORMAÇÕES

Os ingressos começam a ser vendidos no dia 23/01, na bilheteria do Teatro da Caixa. A lotacão máxima é de 80 pessoas por espetáculo.

Data: 29/01/2016 a 31/01/2016
Horário: Sexta-feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h
Horário da Bilheteria: Terça a sexta-feira e domingo, das 13h às 21h e sábado, das 9h às 21h. Telefones: (61) 3206-9448 e 3206-9449
Local: Teatro da Caixa
Entrada: Não será permitida a entrada após o início do espetáculo
Valor do Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (estudantes, professores, funcionários e clientes CAIXA, pessoas acima de 60 anos e doadores de livro).

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Foto de Ândrea Possamai

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Esquadrão da Vida 37 anos

Abra o riso

Hoje, dia 31 de dezembro de 2015, o Esquadrão da Vida completa 37 anos de idade. Foi um ano de muito trabalho mas não estivemos na rua, como gostamos. No entanto, aconteceu a estreia da peça “Quando o Coração Transborda”, monólogo de Maíra Oliveira que conta, através de cartas, poesias e músicas, um pouco da história do Esquadrão. Foi um ano intenso, de reflexões, apresentações e novas configurações.

Estar na rua sempre foi o nosso maior privilégio e sentimos muito por não estar lá neste momento tão importante, onde a discussão sobre apresentações em espaços públicos, ocupações legítimas da rua e Lei do Silêncio tem se imposto de uma forma forte.

Acreditamos em uma cidade alegre, criada para a convivência, onde a Arte tem seu espaço garantido através de conversas em botecos, músicas em bares, apresentações teatrais, saraus e etc. Brasília foi criada com esse pensamento, com o intuito de criar uma convivência harmônica, pacífica, rica e alegre com seus moradores e o lugar onde vivem.

Que este novo ano seja celebrado com tolerância e muito amor. Que venham nossos 38 anos e que possamos estar na rua, espalhando nosso amor ao Teatro e à alegria!

Um beijo enorme e um Feliz Ano Novo!!!

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“Quando o Coração Transborda” – Foto de Ândrea Possamai.

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QUANDO O CORAÇÃO TRANSBORDA – breve temporada e longa reflexão

Informações temporada Mapati - outubro/novembro 2015

Toda vez que vou escrever sobre o “Quando o Coração Transborda” vem tanta coisa à minha cabeça que já nem sei mais o que escrever, porque fico com medo de me perder em meio a tantas reflexões e sensações. Ao mesmo tempo, toda vez que acaba uma apresentação me dá vontade de escrever sobre ela, de falar como me senti e de como me sinto, mesmo sabendo que isso talvez não interesse a ninguém, ou talvez interesse a poucos e que talvez não seja tão importante assim. Fico pensando que é uma coisa minha, só pra mim e que ficar falando sobre o que eu sinto pode ser uma coisa chata e meio presunçosa, não sei. De qualquer forma, tenho sentido essa necessidade de falar sobre a peça e de refletir, abertamente, sobre tudo o que acaba me movendo quando me apresento com ela. Acabo sentindo que isso é uma coisa que eu ainda tenho necessidade de compartilhar, por vaidade, por mobilização, por amor, pelo teatro, sei lá!

Ontem tive mais uma apresentação e, como tem acontecido, assim que as luzes se apagam, no fim da peça, eu me sinto assim, meio desprotegida, bastante sensível e muito emocionada. Tem sido assim, invariavelmente assim. É como se tivesse passado um trator em cima de mim. Não sei se é bom ou ruim, mas sei que é meio cansativo e ao mesmo tempo muito gratificante, mesmo quando não tem quase ninguém na plateia. Já aprendi há muito tempo que o fato de ter muita gente na plateia não significa que o espetáculo vai ser melhor, que todos vão ‘entrar no clima’, que eu, como atriz, vou fazer melhor do que faria se tivesse menos gente. Não. Isso seria negar e negligenciar todo o trabalho e prazer que fazem parte do estar em cena. Sempre me neguei a acreditar nisso. É claro que ter bastante gente na plateia é legal, ao mesmo tempo, já tive apresentações com um público gigante que não foram tão marcantes como outras, onde o público era menor. Uma das melhores apresentações que fiz do “Quando o Coração Transborda” teve um público de cinco pessoas… Agora, vou te dizer que eu estas cinco pessoas saímos transformados do teatro. Eu senti isso. De verdade. Eram pessoas que eu não conhecia, que não sabiam de nada da minha história e da história do Esquadrão da Vida.

Por outro lado, no contexto dessa temporada tão pequena que estou fazendo, é importante a presença do público por razões que não tem a ver com o desenrolar e o desenvolvimento da peça. É porque resolvi fazer na cara e na coragem, sem patrocínio algum e com o apoio das pessoas que trabalham junto comigo, que acreditam na peça e em mim. Ontem falei sobre isso no final do espetáculo. Ninguém está recebendo nada, estamos contando com a bilheteria. Também o Teatro Mapati entrou nessa dança, sendo parceiro de verdade, acreditando na gente, na peça. Isso me emociona muito e me diz que tudo é resultado de um trabalho desenvolvido há anos com o Esquadrão da Vida, um reconhecimento de uma história, a legitimação do trabalho árduo, realizado diariamente há tanto tempo… Muito bom saber disso! É reconfortante, me incentiva e me faz acreditar que é importante seguir fazendo, trabalhando e criando novas conquistas. A minha necessidade de fazer a peça, além de ser bem pessoal, também tem a ver com o momento que estamos vivendo, com essa PEC 215, dos índios, que foi votada essa semana, com esse PL nojento do deputado Eduardo Cunha, com tantas barbaridades que são cometidas diariamente contra crianças e mulheres. É meu jeito de não me calar, de reivindicar por um mundo mais igualitário, com mais compaixão. Acredito com todo meu coração que a Arte é transformadora quando feita com amor, seriedade, disciplina e coragem. É isso que procuro fazer com “Quando o Coração Transborda”. E é isso que quero dividir com você que está me lendo agora, quando for me assistir.

foto de Ico oliveira

foto de Ico oliveira

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QUANDO O CORAÇÃO TRANSBORDA no Festival Cena Contemporânea

Maíra Oliveira. Foto de Bruna Neiva, março de 2015.

Maíra Oliveira. Foto de Bruna Neiva, março de 2015.

Pessoal, estamos há muito tempo sem passar por aqui, tem sido difícil para nós atualizar sempre nosso blog. De qualquer forma, estamos aqui, agora. A Maíra, diretora do grupo, estreou seu novo espetáculo em março de 2015. É um monólogo onde ela conta histórias do Esquadrão, através de música, poemas, cartas e textos que fazem parte dessa trajetória. Além disso, há uma discussão sobre a importância do fazer artístico no mundo atual, já que ela também fala sobre sua relação com o Ary Pára-Raios, seu pai e criador do grupo e de todas as dores e delícias dessa relação tão importante, que no final é a cara do Esquadrão da Vida. No sábado que vem, dia 22 de agosto de 2015, o monólogo volta à cena no Festival Internacional de Teatro Cena Contemporânea, e Maíra escreveu sobre isso:

Tô pra escrever há um tempão mas sempre fico divagando, divagando e… nada! Fico pensando que são tantas coisas pra falar, tantas ideias, tantas revoltas, tantas belezas que quero compartilhar, que acabo resumindo tudo em: todo dia era dia de índio.

Só que eu preciso escrever algo porque dia 22 e dia 28 de agosto eu tenho apresentação do Quando o coração transborda. A última vez que apresentei o espetáculo foi no dia 08 de junho e confesso que estou ávida por me apresentar! Tenho ensaiado todos os dias, como é meu costume, e tem sido tudo muito diferente pra mim, que sou acostumada a ensaiar em grupo… Sinto falta das pessoas comigo, sinto falta de estar na rua com o Esquadrão… Ao mesmo tempo, fico feliz e intrigada com a minha disciplina e minha certeza de que este é um momento que eu preciso viver e que faz bem pra mim. E, pela primeira vez, ele é assim, meio sozinho. Digo meio porque tem muitas pessoas me acompanhando, me instigando, me ajudando. Mas a labuta diária tem sido só minha e às vezes isso é um pouco difícil… Bom, já tô divagando de novo! E tá meio melancólico o negócio, sem eu querer que isso aconteça… Gente!!! Parou!

O fato é que uma das minhas últimas apresentações foi simplesmente maravilhosa, de verdade. Ela aconteceu para alunos do campus da Universidade de Brasília em Planaltina, mais especificamente para alunos do Rafael Villas Bôas, que já foi do Esquadrão há muitos anos atrás. O Rafa trabalha com assentados e quilombolas que fazem o curso de Educação do Campo na UnB. Ele tem um coletivo de teatro que se chama Terra em Cena, que reúne alunos de vários cantos do país, que vivem em quilombos e assentamentos. Foi um dia memorável, desses que a gente guarda com muito carinho e amor pro resto da vida. E foi absurdamente linda a nossa conversa depois do espetáculo, com eles me falando de suas impressões e eu me emocionando o tempo inteiro com o que tinha acontecido. Com essa mágica do teatro, que é sempre tão efêmero e tão forte quando é feito assim, com sinceridade e inteireza. Além de muito ensaio e estudo, é claro.

Não tenho pudor em falar isso dessa forma porque sinto que realmente deixo meu coração transbordar em cena. Quando as pessoas vem falar pra mim o que acharam do espetáculo, como se sentiram, o que viram, o que mexeu com elas e me perguntam como é e me dizem que ouviram falar a respeito e que são depoimentos emocionados, eu só digo, sem falsa modéstia, que o bagulho é louco. Na verdade, que é muito intenso. Escrevi tudo isso só pra convidar quem conseguiu me ler até aqui. É feito com amor, de verdade. Se você for, vou ficar feliz.

Sábado, dia 22/08, às 20h, no Centro Social Comunitário Zilda Arns, no Varjão. Entrada Franca. É super fácil de achar, gente!

Sexta, dia 28/08, às 19h, no Teatro Goldoni. R$ 30,00 a inteira.

Foto de Ico Oliveira.

Foto de Ico Oliveira.

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CULTURA, FAC, GOVERNO E AFINS…

Então tá bom, vamos lá. Há tempos não escrevo aqui mas não tenho mais como fugir disso. Muita coisa acontecendo, embora tudo possa parecer parado. Muitos pensamentos, como sempre. Só que agora parece que a coisa está apertando muito e este blog é uma canal ótimo para divulgar pensamentos e disseminar ações.

Lembro bem que sempre que nos apresentamos, faço discursos bem longos ao fim  de cada espetáculo. Discursos daqueles bem panfletários, de quem quer falar a ‘verdade’, se é que ela existe de fato. Me sinto panfletária ao extremo e muitas vezes não acho isso legal. mas penso que é uma característica da minha personalidade, embora eu lute internamente para ser menos piégas, como meu pai às vezes me chamava. E também tento diminuir os discursos, como minha mãe sempre me sugere. Senão fica chato, né? E existem tantas maneiras de se disseminar ideias, sentimentos, sensações… Ai, ai!

Bom, nesses meus discursos pós espetáculo eu sempre falo sobre a PEC 150, que prevê o repasse anual de 2% do orçamento federal, 1,5% do orçamento dos estados e do Distrito Federal e 1% do orçamento dos municípios, de receitas resultantes de impostos, para a Cultura. Se não me engano, hoje apenas 0,6% do orçamento da União vai para a Cultura. Acho isso tão representativo… Mostra o modo como vemos Cultura… Sabe que nas eleições, eu ficava tentando sempre ouvir dos candidatos qualquer coisa sobre isso e nada!? Fui fazer um questionário que perguntava uma série de coisas para enfim eu descobrir quais seriam os candidatos que se ‘coadunavam’ com minha linha de pensamento. Em nenhuma pergunta havia o tema Cultura, que para mim, junto com o Meio Ambiente e a Educação são as coisas mais importantes de uma sociedade. Temo em dizer que a cultura, para mim, talvez seja até mais importante. E é praticamente óbvio, que você, leitor, não concorde comigo… Será?

Para mim, Cultura é o que a gente é. É como nós, seres humanos, nos afetamos e nos deixamos ser afetados. Como nos manifestamos poeticamente, como descobrimos formas de nos adaptar em uma sociedade tão doida como a nossa. Acho que é o que nos impede de enlouquecer… É o que nos transmuta, transforma. Uma peça de teatro valiosa, muda o outro. Muda o ator e muda o espectador. Uma música é capaz de transformar comunidades, uma obra de arte, pode nos levar além da nossa vida, um livro pode nos ensinar a ser melhores e enfrentar o mundo com mais dignidade e amor. Amor por nós mesmos e pelo o outro. Como ainda tratamos Cultura como uma coisa menor? Artistas como párias, como marginais? Até hoje (e lá se vão 20 anos de trabalho árduo), ainda vejo incredulidade nos olhos dos outros quando digo que sou atriz…

É com essa indignação que resolvi escrever este texto, que já está ficando longo e panfletário, como não poderia deixar de ser. Não sei se você sabe, mas aqui no Distrito Federal temos um Fundo de Apoio à Cultura, o FAC. Ele foi uma grande conquista da classe artística da cidade, é o maior fundo para a cultura de todo o país. Sempre quando falo dele para os artistas de fora do DF, todos ficam surpresos e, de certa forma, com um pouquinho de inveja. Mas a inveja é menor do que vontade de lutar por um fundo igual ou maior em suas cidades.

Para além dos problemas de administração desse fundo em cada governo eleito (o FAC foi criado em 1991, no governo de Joaquim Roriz), estamos sofrendo um golpe violento neste momento. E quando digo estamos, incluo você, que me lê agora. O atual governo do DF está com as mãos prestes a pegar dinheiro deste fundo que foi tão batalhado por tantas pessoas. Pela lei, isso não pode ser feito. Mas o que é a lei senão um conjunto de normas a serem ignoradas em nosso país? O governo Agnelo vai deixar um grande rombo e quer utilizar o dinheiro do FAC para outros fins que não estão previstos em lei para pagar suas dívidas. Como é dinheiro da Cultura, tudo bem, né? Se fosse da Saúde, da Segurança… Daí é que a porca torcia o rabo, não é mesmo? Pois eu digo: NÃO!!!!!!!!!!!!!!!NÃO!!!!!!!!!!

Deixemos de olhar o mundo e a vida com olhos tão caretas e percebamos que o que a gente precisa mesmo é de se sensibilizar, de olhar para nós mesmos e para os outros com doçura e aí sim, vamos poder mudar o mundo, que tá precisando.

Lembrei de um poema de Bertolt Brecht:

Junto com quem não haveria de sentar-se o justiceiro para ajudar a justiça?

Que remédio seria ruim demais para quem agoniza?

Que baixeza tu não praticarias para acabar de vez com a baixeza?

Se pudesses, enfim, mudar o mundo, te julgarias bom demais para isso?

Afinal, quem és tu?

Chafurda na sujeira,

Abraça o magarefe,

E muda o mundo que ele está precisando.

Então é isso. Convoco à todas e todos que me lêem a tentar mudar um pouquinho esse mundo torto e lindo:

  • Compartilhem e assinem:

https://secure.avaaz.org/po/petition/Deputados_e_Populacao_do_DF_SALVEM_O_FUNDO_DE_APOIO_A_CULTURA/?ledyjab&pv=0

  • Compareçam amanhã, terça dia 26/11/2014,  à Câmara Legislativa do DF, faremos um Ato em defesa do FAC, pressionando os deputados para que votem contra esse roubo do governo.
  • Tentem se informar, deem uma olhada no grupo do Facebook: https://www.facebook.com/groups/360058520765126/

E vamos nessa que é legal à beça! Não sou muito fã de ficar enchendo o saco dos outros para que façam coisas, mas hoje tive essa vontade de divulgar mais ainda esse absurdo! Ainda não entendo como isso ainda não está nas capas de jornais, nas manchetes, na TV…

Valeu, gente!

Um beijo grande!

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